30 de setembro de 2006

REALIZADOR É QUE ERA!... HUM... SE CALHAR NÃO.

Deus escreve direito por linhas tortas.

Então não é que, só depois de ter mudado do curso de gestão da Nova para o de Ciência Política e Relações Internacionais da mesma, descubro que o que me realizaria profissionalmente é afinal ser realizador de cinema, ou pelo menos argumentista.

Woody, Bergman, Steven, Martin, Francis, Manoel ou António-Pedro: se alguém estiver interessado numa bela curta-metragem que escrevi é só mandar um e-mail para: pessoa-que-deveria-ter-nascido-num-país-em-que-qualquer-profissão-ligada-ao-cinema-dê-para-viver-decentemente@telenetsapix.pt

JGP

PS - Já agora, Deus, pá, dá um saltinho à MultiOpticas ou então deixa de comprar cadernos de linhas manhosos do Continente.

28 de setembro de 2006

LEIAM, COMPREM, ALUGUEM, PEÇAM EMPRESTADO, ROUBEM

Corto Maltese em A Balada do Mar Salgado, de Hugo Pratt. Provavelmente um dos melhores livros do século vinte e, sem dúvida, o melhor livro de banda desenhada de sempre.

Se não gostarem, podem sempre acenar com o livro ao Fernando Santos no Estádio da Luz, pois a contra-capa é branca.

JGP

20 de setembro de 2006

TROCAS, DEVOLUÇÕES E REEMBOLSOS

Há uns tempos encomendei um livro pela (pelo?) amazon.com. Dias depois chegou embrulhado em 0,1 mm de papel. Conclusão: estava visivelmente deteriorado, isto é, amolgadela em baixo, em cima e rasgão na lombada. Prontamente reclamei, pedindo a devolução do dinheiro ou reenvio de um novo livro mediante a devolução da minha parte do especimen em mau estado. Acrescentei ainda um pedido: que no reenvio enviassem uma embalagem mais resistente. Em poucas horas recebi um e-mail pedindo as maiores desculpas informando-me de que não só podia ficar com o livro deteriorado como se comprometiam a mandar-me nova cópia. Fica então comprovado que estrangeiro a coisa funciona.

Agora pergunto: será que isto seria possível em Portugal? Hum... Vamos reflectir...

Não me parece. Num site de vendas electrónicas português o e-mail de reclamação seria automaticamente respondido com uma frase do género "A sua mensagem foi recebida com sucesso. Aguarde, por favor, uma resposta. Contacte-nos pelo 808123456789". Tentando o telefonema, teríamos música de espera suficiente para um recital, intercalada com variadas transferências da nossa chamada para os inúmeros departamentos, enquanto antipáticas Sandras e Carlas se sucederiam do outro lado. Isto acontecia com sorte, porque numa situação normal ouviríamos: "PT Comunicações. O número que marcou não se encontra atribuído. Para mais informações ligue: 12118 (sic*)." Já um resultado satisfatório em Portugal, consistiria num pedido de desculpas ao fim de 2 semanas, informando-nos do esgotamento do stock e da impossibilidade de reembolso, aconselhando-nos a recorrer à (ao) amazon.com para comprar um novo exemplar.



* agora o número é mesmo o 12118, em vez do saudoso 118 apenas.

JGP

PS - A propósido. A cópia reenviada pela(o) amazon.com veio embrulhada exactamente no mesmo tipo de papel, chegando às minhas mãos novamente com uma amolgadela em cima e outra em baixo. É de salientar no entando a inexistência de rasgão na lombada. Tudo leva a crer que haja um emigrante português a trabalhar lá. Ou então há um trabalhador com miopia, maneta ou trabalhador em part-time numa fábrica de manteigas e margarinas no posto dos correios dos Olivais.



PPS - Quem me puder esclarecer quanto ao género de "amazon.com" habilita-se a ganhar um "obrigado" e uma cópia que tenho a mais de "Grand Prix Data Book - A complete statistical record of the Formula 1 World Championship since 1950" totalmente grátis.

19 de setembro de 2006

SBRDF

Estou sbrdf. É raro estar sbrdf. É muito raro estar sbrdf, direi. Mas sbrdf estou.

A todos os que neste momento sbrdfs estão, gostava que soubessem que não estão sós neste mundo de sbrdfs pegados.

Isto pode ser causado tanto pela proximidade do início das aulas como também, há quem diga, pelo final das férias.

(suspiro longo)

JGP

P.S. - Ao menos não estou hjkryw, que é aquela sensação pior de melindre com o mundo que consiste em descobrir que amanhã começam as aulas, quando se achava que começavam apenas dentro de um mês. Coisa que me aconteceu no ano passado e da qual ainda não estou 100% recuperado.

AINDA OS COMENTÁRIOS

Gostava aqui de deixar claro que respeito o comentador desportivo Hélder Conduto, mas não vou lá muito à bola com o locutor Hélder Conduto. Com isto quero dizer que apreciava genuinamente a dupla Jorge Perestrelo / Hélder Conduto, em que o segundo se ocupava apenas dos comentários do jogo, e não tinha de se preocupar com a locução.

Quanto à chapada que levei de um anónimo com A grande e outras coisas pequenas (ainda me lateja a maçã-do-rosto direita) e que podem ler nos comentários do último post, gostava de lançar, de sobrolho carregado e voz calma de locutor de rádio da noite, as seguintes questões:

- Quem diz que aqui deste lado não está um profissional da televisão, ou pelo menos um entendido na matéria e antigo colaborador da SportTV?
- E quem se atreve a dizer que não percebo nada de "bola" quando até sou correspondente do Record?

Por acaso até nem sou nem uma coisa nem outra, mas vejo televisão quanto baste e gosto talvez demasiado de futebol para deixar passar impune (pelo menos na minha conscienciazinha) algo que me transtorna e que há dias me faz acordar suado a meio da noite, como os comentários de Hélder Conduto.

Ainda assim, gostava de agradecer o comentário anónimo.

JGP

8 de setembro de 2006

OBRAS-PRIMAS DO COMENTÁRIO DESPORTIVO

Não sei se já repararam no novo comentador de futebol da RTP, o catita Hélder Conduto, que nos enche a casa de alegria, com as suas informações preciosas nos jogos da Selecção em que de 5 em 5 minutos nos informa o local de nascença e local de infância dos nossos bem-amados jogadores.

No Portugal-Finlândia tivemos presentes como estes:

"E Tiago, jogador nascido em Viana do Castelo no bairro da Rosinha Encarnada, enquanto Ricardo Rocha, proveniente de Santo Tirso, onde jogou nos infantis do Tirsense depois de sair das escolas do "Botinhas Azúis", se encontra deitado a receber assistência, vai entrar"

"E o finlandês Teemo Tainio, que em 1998 jogou frente a este homem que lhe rouba a bola, Armando Teixeira, nascido em Estrasburgo, mas que cresceu no bairro do Lavradal em Ponte da Barca, conhecido no mundo do futebol como Petit, num jogo da Taça UEFA na equipa de Jaime Pacheco que viria a ser campeã, onde aliás também jogou Ricardo, Ricardo Pereira, conhecido pelo Mãozinhas na sua terra, Montijo, e por Sabe-Tudo pelos colegas na Selecção, perde a bola."

Perceberam a esquemática da coisa? Não! Então é porque são incultos e não conseguem utilizar a brilhante figura de estilo com que nos brinda o sr. Conduto: a heldercondutanalepse.
Agora digam-se se este não é um Senhor da comunicação (com S grande)! Diria mais, um animal da comunicação. De facto, aquilo que eu, quando vejo futebol, quero saber é a proveniência geográfica do jogador, e se possível onde cresceu e viveu seus momentos felizes de infância. Este senhor Hélder Conduto faz o seu trabalho exemplarmente! Atenção, o dinheiro que a RTP gasta nas viagens deste senhor e do outro (o Luís Baila que durante os jogos informa se a bola passou a 2cm ou 4cm da barra, qual o jogador que vai entrar e quem está deitado no chão lesionado e em que parte da anatomia do corpo humano fez a mossa) é claramente bem empregue. Aliás, tenho gosto em que o dinheiro dos meus impostos seja utilizado em viagens destes senhores pela Europa fora (Dinamarca e Finlândia na última semana) a fazerem obras-primas do comentário desportivo nacional que tanto nos honram por esse Alcabideche (terra de nascença de Hélder Conduto) e Venda Nova (terra de infância de Hélder Conduto) fora. Assim, o nosso querido Hélder, prova-nos que não pertence aos 6,7% de analfabetos do nosso país, e que sabe ler as fichas informativas que são distribuídas aos jornalistas no início dos jogos.

Força Hélder!




Para os amantes de Fórmula 1, há que ouvir também, atentamente, os magníficos comentários da dupla Paulo Solipa e Jorge Alexandre Lopes.

O simpático Paulo, entendido na matéria e amigo íntimo de Tiago Monteiro, gosta de nos informar, após um "compromisso publicitário" (e não intervalo, ou anúncios, ou publicidade - sempre "compromisso publicitário", para que todos saibamos que aquilo que interrompe a corrida não são meros anúncios) que "voltamos de novo (sic) ao contacto". Eles voltam, e ainda por cima, de novo, pá, isto é que é. E o sempre bem-disposto Jorge, apimenta a coisa com os seus apaixonantes discursos intermináveis que começam na trajectória efectuada pelo carro de Alonso e acabam no verniz das unhas da empregada doméstica do engenheiro-chefe da equipa Honda, sem nunca terminar uma ideia

Um exemplo, a frase "Fisichella acaba de ser ultrapassado pelo seu companheiro de equipa Alonso" acaba numa linda ode ao vazio e à ideia de vácuo como esta:

"Jorge Alexander Lopes - Fisichella, que já nos treinos tinha saído ligeiramente de pista na curva onde, há seis anos, Pedro Lamy também saiu nos treinos livres de sexta-feira, treinos esses onde, aliás, também Mikka Hakkinen tivera problemas, mas com a afinação da asa traseira, que lhe valeram um lugar muito atrasado na grelha de partida desse Grande-Prémio, que por sinal, naquele ano fôra alterado na parte da chicane que se segue à curva 34, onde morreram 2 espectadores, num acidente no campeonato do mundo de motociclismo em 1974, dois dias depois da corrida de Fórmula 1 que deu o título a Emerson Fittipaldi, e que... Aaa... Onde é que eu ia?
Paulo Solipa - Bem Jorge, temos de ir para um "compromisso publicitário" para, desde já, regressarmos de novo ao seu contacto."

Já agora, dou uma Bola-de-Berlim com creme, a quem conseguir provar que Paulo Solipa alguma vez na sua vida conseguiu pronunciar Michael Schumacher and David Coulthard, sem ser nas suas imaginativas variantes Mishaél (à francesa) Chumacker-se e David Côltar-se.

Às vezes pergunto-me, porque é que o cidadão Manuel Subtil, em 2001, não levou avante o seu plano de se explodir na casa-de-banho da RTP.

JGP

2 de setembro de 2006

E QUEM SAI É...

"Aqui em directo da Santa Casa, assitimos à extracção do clube que sairá ou entrará na Liga 2006/07. Os representantes do Governo Civil estão atentos. Respeita-se a regra do representante do Governo Civil ostentar bigode. Portanto, está tudo a postos, vamos a isto. As bolas estão a rolar. Gil Vicente? Belenenses? Leixões? E... E... Surpresa das surpresas, é o Futebol Clube do Porto a descer."

"O sonho comanda a vida"
António Gedeão in Pedra Filosofal

"Porto é fezes"
Eu in Publicação por publicar

JGP

1 de setembro de 2006

REENCONTRO DE AMIGOS

Homessa (1)! Tu queres ver que esta cena (2) está outra vez a germinar (3)?!

JGP


(1. Homessa - interj. o.m.q Essa agora! Ora essa! [Do Português homem+essa]
2. Cena - f. Parte do teatro em que os actores representam os seus papéis. Palco. Decoração teatral, durante a qual as vistas do palco são as mesmas e os mesmos actores que representam. Fig. Lugar onde se realiza algum facto. Acontecimento dramático ou susceptível de representação teatral. Acto mais ou menos censurável. Perspectiva; coisa ou coisas que se abrangem com a vista; panorama. Arte dramática. [Do Latim scena]
3. Germinar - v. i. Começar a desenvoler-se (falando-se de semente, blobos, etc.). Deitar rebentos, grelar. Fig. Ter princípio. Desenvolver-se. V. t. P. us. Produzir; dar causa a [Do Latim germinare]
4. Gibão - m. Vestidura antiga, que cobria os homens desde o pescoço à cintura. Colete. Espécie de casaco curto que se veste sobre a camisa. Bras. Veste de coiro usada pelos vaqueiros. Biol. Espécie animal da família dos primatas [Origem desconhecida])