27 de novembro de 2009

PARA QUEM ACHA QUE O RODEO É PARA MENINAS

Segue-se um vídeo bastante educativo. Se tiverem crianças por perto chamem-nas para junto de vós para que todos possam partilhar os próximos minutos. Vá, não custa nada e quando tiverem tempo experimentem fazer o mesmo em casa e divirtam-se. Não doi, é bom!

PS - Existe uma recompensa para quem conseguir montar este touro denominado "Toro Bandido" durante mais de X segundos. Não me lembro do número mas é capaz de não ser assim tão difícil.

MIRTILOS E ARANDOS

Anda um gajo a viver estes anos todos com certezas, para depois virem desmanchar tudo...

Então não é que descobri que os mirtilos, os arandos, as airelas, as uvas-do-monte e as uveiras-da-serra são tudo a mesma coisa.

Continuará a haver razão para viver?

25 de novembro de 2009

CHIKEN OU CHICKEN?


Fica a dúvida...

O QUE VEM A SER ISSO DO FACEBOOK?

Quando uma certa coisa, palpável ou não, ganha algum protagonismo e acaba por se criar um hype considerável em seu torno há logo alguém que vem com a frase "Isto do jogar à macaca [a título de exemplo] não é simplesmente atirar pedras e dar saltos, é antes um modo de vida!"

Esta coisa de, por tudo e por nada, classificar simples fenómenos passageiros ou perfeitamente definíveis como modos de vida é irritante, e dá comichão nos cotovelos. Pelo menos a mim dá. Deviam cegar essas pessoas de forma extremamente dolorosa.

E agora, o momento em que me contradigo: Isto do Facebook não é só um simples grupo social, é um modo de vida, pá! Agora vou só ali buscar uns pionaises e magoar-me um bocado.

Claro que exagero, mas às vezes parece.

Não consigo descrever o fenómeno Facebook como apenas um sítio na rede. Chamar-lhe "grupo social" é ridículo e redutor, já que é muito mais do que isso. O que o distingue do agora caído em desgraça hi5? E o que é feito desta maravilha que ainda há um par de anos era o local de engate preferido de meia faixa etária jovem deste país? Estará a receber o subsídio de desemprego, ou simplesmente a vaguear pelas ruas vivendo da caridade alheia ou de algum mitra ou porcalhona do engate desatualizados que ainda não ouviram a boa-nova do Facebook? Hi5 is dead, long live Facebook. O Facebook resolve todos os problemas do hi5, e ainda lhe junta um grau de vício e de capacidade comunicativa 100 vezes superior.

O Facebook é provavelmente a coisa mais viciante do mundo. Bate drogas e esses negócios ruins nas horas. Ou já ouviram falar de algum toxicodependente que se sinta impelido a comentar a injeção do outro com um "Gosto!" ou que faça tags em fotografias de droga apreendida pela PJ como "branca que era do Tojó (1978-2002)", "cavalo do Manecas (1980-2004)" ou "o Mãozinhas acabou por não snifar disto (1976-hoje)". O Facebook é um vício, mas um vício que, ao contrário do que os seus detratores afirmam, não reduz a convivência humana apenas ao contacto virtual. O Facebook, na minha ótica (e o que eu abomino pessoas que usam esta expressão) é só e apenas um facilitador desse contacto. É o ponto de partida para conhecer melhor quem há anos nos rodeia, é a forma de nos mantermos informados sobre quem está longe ou simplesmente quem a ocasião há anos não nos proporciona um encontro. O Mafia Wars, o Farmville ou outros jogos, o comentar fotografias, o comentar frases, vídeos, posts em blogues como este, os quizs feitos, os pick your 5, etc. faz com que se crie uma base de ligação para que o contacto físico (e os engraçadinhos que não achem que por contacto físico eu esteja a referir-me a "fazer bebés") seja mais completo, que haja mais cumplicidade e conhecimento do outro. É lógico que não me interessa saber "que prato típico do Nepal" ou "que personagem do Crepúsculo" um amigo meu qualquer é. Interessa é saber que ele se interessa por vampiros, que por acaso assim de repente não é dos meus temas preferidos (está para aí em 1273.º lugar na lista), mas que servirá obviamente para gozar com ele de forma exaustiva. O que, como toda a gente sabe, faz parte da amizade. E sempre é algo que não é small talk.

Outro aspeto importante do Facebook é a capacidade incrível que há de decisão daquilo que queremos exposto e a quem. Se eu sou fã dos grupos "Pessoas que usam ceroulas quando o tempo se põe mais fresquinho", "Portista, mas não digo a ninguém" ou "Gosto de mordidelas em número ímpar e em múltiplos de 5 nos lóbulos das orelhas", coisas que admitamos não se dizem aos quatro ventos, eu posso de facto receber os feeds desses grupos e andar informado, mas não preciso que a minha tia, o meu professor da faculdade ou o meu patrão saibam disso. Quem está desse lado e ainda não sabe disto, fiquem a saber que podem escolher individualmente nos vossos amigos ou criar grupos à parte e escolher o que esses grupos podem ou não ver. E assim, o tal parceiro(a) que tu que estás a ler isto queres impressionar nunca terá de saber que no fundo tu gostas é de loiros/loiras e punks, em vez de carecas de patilhas com tranças e óculos de massa/mulheres barbadas do circo como de facto eles são.

Isto tudo para concluir que o Facebook tira-te a ti, jovem, algum tempo da tua vida. Mas esse tempo pode ser bem gasto! Deves doseá-lo de forma saudável. Comentar algo às 6 da manhã ou fertilizar a quinta do outro a horas impróprias, uma vez, tudo bem. Fazer disso o dia-a-dia já não. O Facebook não é o Demo, e até é uma óptima maneira de socializar, mas utiliza-o com os amigos que de facto tens na tua vida lá fora. Não inicies relacionamentos com gente que adicionaste só para teres mais amigos no Mafia Wars, que ainda acabas no fundo do Tejo com uma pedra atada aos tornozelos no primeiro encontro que tens com ele/ela.

Como todos os outros vícios, controlar o do Facebook é complicado. Se te sentires mesmo só a viver para aquilo tens de mudar. Ainda não foi descoberta medicação, mas posso dar-te uma dica: sai de casa e bebe uns copos ou então faz coisas como bunjee jumping, pesca submarina ou assistir no palco ao Preço Certo. Decerto que te sentirás mais livre.

E agora deixo-vos com música:



PS - "1273.º lugar" lê-se milésimo duocentésimo septuagésimo terceiro lugar. Quem leu "mil duzentos e setenta e três lugar" é uma besta e devia ser obrigado a repetir a 2.ª classe ao lado de uma miúda irritante que diga "a partir desta linha que eu fiz na nossa mesa não podes tocar".

CURTAS XXI

O Comunismo é a doença dos jovens.

Os jovens bloquistas estão é medicados. Os sintomas estão lá, mas muito ténues.

24 de novembro de 2009

QUASI RITORNO

Olá! Lembram-se de mim? Escrevia neste blogue há um bom par de anos, e até fui eu que o fundei. Decidi voltar cá há umas semanas mas demorei um bocado a tirar as teias, a lavar o chão, a pôr Pronto nos móveis, e à espera dos homens da desinfestação.

Escrevo-vos esta posta diretamente de Varese, terra a cerca de 55 km de Mião. Estive cá seis dias numa espécie de visita relâmpago ao norte de Itália para ver o que ainda não havia visto quando cá estive em Erasmus.

Depois de uma maratona de seis dias em que o comboio se revelou uma cama bastante razoável e o dormir sentado se tornou um lugar-comum, posso dizer-vos que Itália é mesmo catita. Não que ainda não o soubesse... Foi mais para escrever a palavra catita, se bem que janota também dava para o efeito.

Para além de Varese, voltei a Milão, vi Parma, Génova e Turim. O adjetivo para isto tudo é: altamente, se bem que é um advérbio, mas julgo que não haja desse lado ninguém que se lembre de português do básico ou que ande de gramática ao lado do computador.

Varese é minúsculo, mas o centro é engraçadote e amanha de manhã antes do voo ainda vou ver o mais importante. Milão estava no mesmo sítio, mas mais frio. Parma é pequena mas arranjada. Uma praça imponente, um Duomo così-così e muita gente na rua. Génova é a confusão! Incrustada em montanhas e junto ao mar, é a típica cidade portuária com tudo engalfinhado e montes de bairros com ruas medievais do tamanho do ecrã do laptop onde estou a escrever. Não diria que é imperdível, mas é daquelas coisas que se perderem é coisa para vos deixar melindrados. Já Turim é a surpresa: ENORME é a palavra (e maiusculada). Imaginem a Baixa de Lisboa mas multiplicada por 10, e com zonas medievais, renascentistas, setecentistas e oitocentistas, para além de pequenas obras góticas, românicas, ruínas romanas, e muito, muito Barroco. Tem um rio (o Pó), um monte no meio da cidade com um miradouro fabuloso (segundo dizem, já que o nevoeiro fez questão de me mostrar quem manda), e palácios a cada esquina. Dá a ideia que esta gente de Turim plantava palácios quando lhes dava na real gana. É que parece que há mais palácios lá do que pelos na minha barba (E eu nem fiz a barba cá! Espero não ter problemas no aeroporto).

Resumindo, foi bom matar saudades de arranhar italiano, de ser roubado nos cafés a toda a hora (0,90€ é de gritar "Pega que é gatuno!"), de dizer "Non vogliamo niente, grazie" aos senegaleses e indianos, de comer kebabs, de encontrar praças Garibaldi (e sua respetiva estátua, sempre diferente, ora com barba, ora sem, ora a cavalo, ora a penantes), XV de Aprile, Cavour, della Repubblica e Vittorio Emanuelle II e ainda Duomos grandalhões em tudo o que é terriola, de rapar frio, de comer pasta com salsichas, dos McDonald's ao preço do ouro, de ter dores nos pés de andar, do "Attenzione: allontanarsi dalla linea gialla" (Atenção: afastar-se da linha amarela) das estações de comboios, de ver igrejas até o próprio Deus estar farto de me ver a rondar o spot dele, de acordar cedíssimo, de encontrar sempre farmácias ao lado de Tabacchi, e de me lembrar de Pisa (que nem sequer fica por perto) a cada esquina! Isto de Itália é giro, pá. Um dia venham cá, em vez de gastarem notas pretas a ir para Brasis e Caraíbas...

Amanha volto a Portugal, terra das coisas baratas e da família e amigos, mas um pouco do coração está ainda cá. Vá, do coração talvez não... Um pouco da vesícula biliar ou do perónio, não sei.

PS - Não matei saudades da Ryanair e da tortura física que é fazer Lisboa-Porto-Local designado-Porto-Lisboa, já que vim pela Easyjet.