25 de novembro de 2009

O QUE VEM A SER ISSO DO FACEBOOK?

Quando uma certa coisa, palpável ou não, ganha algum protagonismo e acaba por se criar um hype considerável em seu torno há logo alguém que vem com a frase "Isto do jogar à macaca [a título de exemplo] não é simplesmente atirar pedras e dar saltos, é antes um modo de vida!"

Esta coisa de, por tudo e por nada, classificar simples fenómenos passageiros ou perfeitamente definíveis como modos de vida é irritante, e dá comichão nos cotovelos. Pelo menos a mim dá. Deviam cegar essas pessoas de forma extremamente dolorosa.

E agora, o momento em que me contradigo: Isto do Facebook não é só um simples grupo social, é um modo de vida, pá! Agora vou só ali buscar uns pionaises e magoar-me um bocado.

Claro que exagero, mas às vezes parece.

Não consigo descrever o fenómeno Facebook como apenas um sítio na rede. Chamar-lhe "grupo social" é ridículo e redutor, já que é muito mais do que isso. O que o distingue do agora caído em desgraça hi5? E o que é feito desta maravilha que ainda há um par de anos era o local de engate preferido de meia faixa etária jovem deste país? Estará a receber o subsídio de desemprego, ou simplesmente a vaguear pelas ruas vivendo da caridade alheia ou de algum mitra ou porcalhona do engate desatualizados que ainda não ouviram a boa-nova do Facebook? Hi5 is dead, long live Facebook. O Facebook resolve todos os problemas do hi5, e ainda lhe junta um grau de vício e de capacidade comunicativa 100 vezes superior.

O Facebook é provavelmente a coisa mais viciante do mundo. Bate drogas e esses negócios ruins nas horas. Ou já ouviram falar de algum toxicodependente que se sinta impelido a comentar a injeção do outro com um "Gosto!" ou que faça tags em fotografias de droga apreendida pela PJ como "branca que era do Tojó (1978-2002)", "cavalo do Manecas (1980-2004)" ou "o Mãozinhas acabou por não snifar disto (1976-hoje)". O Facebook é um vício, mas um vício que, ao contrário do que os seus detratores afirmam, não reduz a convivência humana apenas ao contacto virtual. O Facebook, na minha ótica (e o que eu abomino pessoas que usam esta expressão) é só e apenas um facilitador desse contacto. É o ponto de partida para conhecer melhor quem há anos nos rodeia, é a forma de nos mantermos informados sobre quem está longe ou simplesmente quem a ocasião há anos não nos proporciona um encontro. O Mafia Wars, o Farmville ou outros jogos, o comentar fotografias, o comentar frases, vídeos, posts em blogues como este, os quizs feitos, os pick your 5, etc. faz com que se crie uma base de ligação para que o contacto físico (e os engraçadinhos que não achem que por contacto físico eu esteja a referir-me a "fazer bebés") seja mais completo, que haja mais cumplicidade e conhecimento do outro. É lógico que não me interessa saber "que prato típico do Nepal" ou "que personagem do Crepúsculo" um amigo meu qualquer é. Interessa é saber que ele se interessa por vampiros, que por acaso assim de repente não é dos meus temas preferidos (está para aí em 1273.º lugar na lista), mas que servirá obviamente para gozar com ele de forma exaustiva. O que, como toda a gente sabe, faz parte da amizade. E sempre é algo que não é small talk.

Outro aspeto importante do Facebook é a capacidade incrível que há de decisão daquilo que queremos exposto e a quem. Se eu sou fã dos grupos "Pessoas que usam ceroulas quando o tempo se põe mais fresquinho", "Portista, mas não digo a ninguém" ou "Gosto de mordidelas em número ímpar e em múltiplos de 5 nos lóbulos das orelhas", coisas que admitamos não se dizem aos quatro ventos, eu posso de facto receber os feeds desses grupos e andar informado, mas não preciso que a minha tia, o meu professor da faculdade ou o meu patrão saibam disso. Quem está desse lado e ainda não sabe disto, fiquem a saber que podem escolher individualmente nos vossos amigos ou criar grupos à parte e escolher o que esses grupos podem ou não ver. E assim, o tal parceiro(a) que tu que estás a ler isto queres impressionar nunca terá de saber que no fundo tu gostas é de loiros/loiras e punks, em vez de carecas de patilhas com tranças e óculos de massa/mulheres barbadas do circo como de facto eles são.

Isto tudo para concluir que o Facebook tira-te a ti, jovem, algum tempo da tua vida. Mas esse tempo pode ser bem gasto! Deves doseá-lo de forma saudável. Comentar algo às 6 da manhã ou fertilizar a quinta do outro a horas impróprias, uma vez, tudo bem. Fazer disso o dia-a-dia já não. O Facebook não é o Demo, e até é uma óptima maneira de socializar, mas utiliza-o com os amigos que de facto tens na tua vida lá fora. Não inicies relacionamentos com gente que adicionaste só para teres mais amigos no Mafia Wars, que ainda acabas no fundo do Tejo com uma pedra atada aos tornozelos no primeiro encontro que tens com ele/ela.

Como todos os outros vícios, controlar o do Facebook é complicado. Se te sentires mesmo só a viver para aquilo tens de mudar. Ainda não foi descoberta medicação, mas posso dar-te uma dica: sai de casa e bebe uns copos ou então faz coisas como bunjee jumping, pesca submarina ou assistir no palco ao Preço Certo. Decerto que te sentirás mais livre.

E agora deixo-vos com música:



PS - "1273.º lugar" lê-se milésimo duocentésimo septuagésimo terceiro lugar. Quem leu "mil duzentos e setenta e três lugar" é uma besta e devia ser obrigado a repetir a 2.ª classe ao lado de uma miúda irritante que diga "a partir desta linha que eu fiz na nossa mesa não podes tocar".

5 comentários:

DGC disse...

Acho que vou ter de repetir a 2ª classe. lol

Petersen disse...

Sim e alem de repetir a 2ª classe senti que agora me dedicas frases nos teus posts... sim eu era mesmo quem estava a pensar que isto ajudava nos bébes.

JGP disse...

Isto ajudava nos bebés?

JGP disse...

Já agora, RP, para quando alguma coisa para este blogue? E já agora, porque estás a usar outra conta e não aquela onde te chamas "RP"?

Petersen disse...

Ha uma razão optima! e vou.te provar que é a melhor explicação que alguma vez pensarias... Não fazia a menor ideia nem do Username nem da pass!
mas heide tratar disso um dia e escreverei algo! Promessa de escuteiro!