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10 de janeiro de 2009

BARCELONA - LISBOA, A PRIMEIRA IMAGEM

Viagem entre Barcelona e Lisboa. O que trago hoje é um simples acontecimento que presenciei, sem a menor importância para os portugueses mas extremamente importante para a minha formação enquanto homem e apreciador de queijo da Serra da Estrela.

Ao descolar em terras de Espanha a atmosfera límpida fazia adivinhar um retorno tranquilo. O mar azul de Poseidon reflectia o Sol de Apolo. Hermes guardou-nos durante a viagem e chegámos intactos. Em Lisboa vislumbrei o nosso pindérico aeroporto. Desloquei-me como é habitual ao tapete rolante por onde são lançadas (literalmente) as malas dos ocupantes de um qualquer vôo. Dizem que o aeroporto de Lisboa é dos que tem pior serviço de handling da Europa e onde são registados grande número de furtos de bagagens. Provavelmente o tuga chico-esperto que acha que vai encontrar a resolução dos seus problemas na mala de um compatriota ou de um sueco qualquer que veio cá parar por acaso, pensando que isto fosse um país civilizado. A rotina foi a habitual. A certa altura estava eu sentado num banco à espera da mala quando vejo algo bastante interessante: um casal na bonita idade dos 60 aproxima-se. Ele grande para os lados, ostentando um impressionante casaco de cabedal preto; Ela volumosa pois claro, com um cabelo curto ridículo, transportava um objecto parecido com uma caixa. Com excepção da ausência de pilosidade sobre o lábio superior do macho, podíamos dizer que era o casal português típico. Mas calma, onde estavam os rebentos? Claro que não existiam rebentos. Então se a idade dos elementos desta maravilhosa parelha rondava os 60 como é que poderiam ter rebentos? Não têm porque já não podem, pois uma das actividades preferidas destes portugueses é a procriação. Em vez do Telmo ou da Sandrine com ranho a escorrer pelo nariz, têm o Béu-béu que também faz cocó mas não vai a creche e quando leva um tabefe não chora a tarde inteira. Este tipo de casais como já não têm filhos pequenos e os netos só os vêem nas reuniões familiares semanais (churrascos e sardinhadas, geralmente), optam pela companhia de canídeos. Pequenas feras peludas que obrigam à colocação de uma placa a dizer “Cuidado com o cão” à porta da vivenda na Costa da Caparica. O nosso casal não fugia a regra. A caixa que a esposa (vulgo patroa) transportava era precisamente o Lu-lu peludo formato 40x30 que ansiava desde Barcelona por uma boa mijadela à antiga (peço desculpa pelo vocabulário). Ao chegarem ao tapete o macho inclina-se junto da fêmea e abre a porta da jaula que transportava o bicho impaciente. A fêmea descontraída falava alto. Tudo aquilo era novo, todo aquele ambiente no aeroporto era emocionante. O movimento do seu marido traduziu-se na maior felicidade do seu pequeno animal de estimação que saiu disparado como um foguete. A alegria estava patente no olhar do nosso amiguinho que se babava de alegria. Tinha-se aguentado 1 000 km de viagem por aquele instante, o momento em que finalmente libertaria os fluidos acumulados. Saiu galopando, de boca escancarada, língua de fora. Visto em câmara lenta seria possível vislumbrar fios de baba lançados em todas as direcções. Quais serão os pensamentos de um cão? O desde não foi muito difícil de adivinhar. O que ele queria era alçar a perna o mais rápido possível, e foi o que fez. Em pleno aeroporto internacional de Lisboa dirigiu-se à primeira coluna junto ao tapete e deixou uma monumental mijadela. À sua volta as pessoas não conseguiram conter o riso nem mesmo eu. A situação foi de facto caricata. Um cão a urinar em pleno aeroporto, numa coluna de mármore. Quem não conhecia Portugal teve uma primeira impressão fantástica. Eu por outro lado senti-me em casa.
PS – Se calhar exagerei a descrever uma cena tão pequena, mas o que é bom é para ser dito com calma.
PPS – Espero não me ter enganado nos Deuses.

1 de setembro de 2008

VIATURA DE SONHO

Já está. Já cá mora. O povo é soberano, e democraticamente lá se elegeu o "chaço" mais marcante das últimas décadas. 77 dias de votação intensa, com o recorde de participação de sempre: 58 votos! Não chegámos à marca dos 75, que fica para uma outra oportunidade. Também a escolha da altura da votação não foi a melhor, já que o Verão andou por aí a cortar a Internet a muita gente.

E pronto, vamos então iniciar a divulgação dos mais votados. No entanto, é sempre bom fazer um ponto prévio. Pontos prévios são dos melhores pontos que há, logo a seguir ao ponto final, ao ponto do teatro e aos pontos negros, por isso façamos um ponto prévio. O que é um chaço? Qual o objectivo desta votação? Não sabemos. Pessoas que se guiam por objectivos acabam por ser meio aborrecidas, por isso vou só dizer meia dúzia de disparates e passar ao que interessa.

Para nós, um chaço não é necessariamente um mau carro. Um chaço pode ter uma ou mais características de entre uma catrefada delas. Pode ser feio (mas até pode estar em linha com os carros da sua época), pode até ser um bom carro mas estar associado a pessoal chunga ou ao típico tuga, pode ser absolutamente horrível e recente. E pronto. As regras não foram rígidas, e desenganem-se aqueles que julgam que destes carros todos não tivemos um na nossa família.

Bom, chega de conversa fiada e chamem a banda filarmónica para tocar aí um rufo, ou assim...

E a Viatura de Sonho é...

(rufos da filarmónica)

Carrinha PEUGEOT 504 de 1971!

Esta maravilha automotriz foi fabricada de 1971 a 1979. Carro familiar, muito apreciado pela família tuga, provou ser uma viatura duradoura já que ainda hoje é possível observar destes chaços por aí nas ruas do nosso país. É espaçoso, linhas antiquadas, normalmente em tons creme, o que é bom já que mesmo estando sujo parece sempre limpo. Bom para piqueniques e passeatas por todo o lado. Bom também para ir para o emprego, ou usar como transporte em empregos que vão ao domicílio do cliente, tipo canalizadores ou caixilheiros. Uma máquina!

Nos seguintes lugares da classificação ficaram o horrendo Fiat Multipla (produzido desde 1998), e que constitui a prova de que Nosso Senhor distribuiu o bom gosto de forma muito aleatória. Em terceiro ficou o grandioso Opel Rekord E (produzido de 77 a 86), simbolizando o típico carro dos anos 80.

E assim ficou a classificação:
1. PEUGEOT 504 (9 votos)
2. FIAT MULTIPLA (7 votos)
3. OPEL REKORD E (5 votos)
4. Mercedes-Benz 190 D / Opel Kadett E / Peugeot 505 / Toyota Corolla E90 (4 votos)
8. Honda CR-X / Volkswagen Passat 2 / Volvo 340 (3 votos)
11. Citroën AX / Citroën Saxo / Fiat Panda e Seat Marbella / Renault Clio (2 votos)
15. BMW Serie 3 E30 / Fiat Punto 1 / Fiat Uno / Renault 19 (1 voto)
19. Citroën XM / Ford Escort V b / Mazda MX-6 / Opel Corsa A / Peugeot 405 Mi16 / Renault Twingo / Subaru GL 2 (0 votos)

Contem com próximas votações lá para meados de qualquer dia.

24 de junho de 2008

VIATURA DE SONHO: OS NOMEADOS

Finalmente aqui vos apresentamos, após árduo trabalho de Photoshop, os nomeados para a Viatura Sonho.

Os chaços são os seguintes:
(clicar para ampliar)


Agora, toca a engatar a primeira, prego a fundo no acelerador e escolher o pior. A votação está a partir de hoje colocada à direita, e ficará aqui até Setembro. Nos entrementes vamos colocando algumas maravilhas que não chegaram aos nomeados mas que tinham nível para tal.

May the ugliest win!

16 de junho de 2008

VIATURAS DE SONHO

Hoje é uma data histórica. Faz 2 meses e 20 dias que o Gameirices não organiza nenhuma votação parva. Como já se falou aqui há tempos, e a pedido de alguns leitores, decidimos iniciar um projecto épico (nunca antes tentado em Portugal, na Europa, ou mesmo em Lisboa) para encontar a viatura motorizada automóvel mais querida do povo lusitano.

Dos anos 70 até hoje as vias nacionais são percorridas por máquinas de fazer inveja a alguém que ande todos os dias de bicicleta, patins ou trenó. São chaços: ou foleiros, ou feios, com ou sem cortinados, barulhentos, com má escolha de cores, datados, quadradões, ou aptos para o tunning ou para levar a senhora a piquenicar.

Em Portugal o carro é, desde tempos imemoriais, símbolo de ostentação, virilidade e de sucesso. Para o tuga, ter um carro um pouco acima daquilo que pode é mais importante do que ter comida na mesa, poder passar umas férias no estrangeiro, pagar os estudos dos catraios, ou abastecer o próprio carro de combustível. Aliás, o carro é melhor que esteja parado ao pé do quintal, para o vizinho ver.

Na senda de encontrar a Viatura de Sonho escolhemos 25 maquinões desde meados da década de 70 até à nossa era.

São eles:
BMW Serie 3 E30 (1981)
Citroën AX (1986)
Citroën Saxo (1996)
Citroën XM (1989)
Fiat Multipla (1998)
Fiat Panda / SEAT Marbella (1980)
Fiat Punto 1 (1993)
Fiat Uno (1983)
Ford Escort V b (1992)
Honda CR-X (1983)
Mazda MX-6 (1988)
Mercedes-Benz 190 D (1982)
Opel Corsa A (1982)
Opel Kadett E (1984)
Opel Rekord E (1977)
Peugeot 405 Mi16 (1987)
Peugeot 504 carrinha (1970)
Peugeot 505 carrinha (1979)
Renault 19 (1988)
Renault Clio (1990)
Renault Twingo (1992)
Subaru GL (1984)
Toyota Corolla E90 (1987)
Volkswagen Passat 2 (1981)
Volvo 340 (1976)

Mais tarde apresentaremos imagens a condizer, e iniciaremos a votação. E por mais tarde, queremos dizer, logo à noite, se nos apetecer.

PS - A imagem é de um Toyota Carina 1600 sedan de 1978. Não nomeado... Imaginem os outros.

QUOTIDIANO TUGA


Olivais, Verão de 2006. Telemóvel de DGC. Sem palavras.

9 de junho de 2008

PROFISSIONAIS ACIMA DE TUDO

Acabei de ouvir uma coisa muito curiosa no primeiro jornal da SIC. Nunca tinha ouvido ninguém referir-se aos camionistas por profissionais do volante. Eu também tenho um carro. Será que também sou um profissional do volante, ou é preciso ter um volante de 60cm de diâmetro para ser considerado profissional do volante. Sou extremamente profissional a guiar por isso agora fiquei com dúvidas. Talvez seja para dar ênfase ao facto de serem profissionais. Quais bestas-quadradas ao volante?! Estes homens são especialistas!
Outra coisa... Porque é que chamam profissionais do táxi aos taxistas? Porque não simplesmente taxistas? De profissional não têm nada. Eu diria mesmo que são os espécimes mais inqualificáveis para ter um carro nas mãos. Para eles não há pisca para a direita nem para a esquerda (deve ser para poupar), atiram-se de qualquer maneira nas rotundas e cruzamentos, param em qualquer lado de qualquer maneira sem se importarem com os outros que têm de ficar à espera. A desculpa é sempre a mesma "Oh meu amigo não vê que estou a trabalhar!?". Claro, o Sr. está a trabalhar! O resto das pessoas anda só a passear. A cidade é bonita e gostamos de ver as ruas, os monumentos, gastar combustível... Enfim nós somos só amadores, os profissionais é que têm razão.

1 de junho de 2008

ZÉZÉ O HOMEM DO MAR

Parece que hoje abre a época balnear. O tempo não está propriamente convidativo a banhos mas não deixa de ser um dia marcante para a maralha tuga. Seleccionei um vídeo especial, um magnífico mergulho da única lacuna da votação dos grandes bigodes: Zézé Camarinha. São 31 segundos extremamente didácticos, especialmente para a pequenada que anda a aprender a nadar e mergulhar. O famoso engatatão português parece dominar não só qualquer técnica de engate como também a arte de mergulhar de forma harmoniosa e sem lesões para a coluna.



P.S. - Parece que também vem aí uma grande obra literária: "O último macho man português", que certamente irei ler e reler.

28 de abril de 2008

UM SR. BIGODE III - A VINGANÇA DOS PÊLOS DO PEITO

A saga vai continuando. Desta vez na pacata vila de São Martinho do Porto, onde tias e bigodes convivem num ambiente amistoso mas com 500 metros de praia a separá-los. De facto, esta fotografia foi tirada na zona "nobre" da praia, que fica algures entre os faróis e Salir do Porto.

Mas analisando a peça a fundo... Neste magnífico retrato (RRr), o macho faz-se acompanhar pela patroa, figura essencial na vida de qualquer bom macho latino. É ela que se ocupa do "comer" e dos rebentos que são normalmente umas pequenas lontrinhas que não pesam menos de 55kg aos 8 anos, idade em que são particularmente irritantes. Os petizes comem Bollycao 8 a 9 vezes ao dia enquanto que os progenitores se alimentam de carapau frito, toucinho, entremeada e outras gordurangas nojentas. Na imagem não podemos confirmar o regime alimentar do respeitoso casal mas é certo que terão levado uma rica lancheira com os seus petiscos predilectos. O chefe apresenta um belo fio d'oiro, assim como um reluzente cachucho que é usado para cunhar a cabeça dos filhos quando estes se recusam a comer o pão com Tule (Tulicreme). A clássica tanga também está presente, assim como o guarda-sol (pecando apenas no facto de não apresentar todas as cores da bandeira nacional) e o chanato!

4 de abril de 2008

UM SR. BIGODE II

Directamente das festas de Ponte da Barca em Agosto de 2007, apresento-vos um magnífico exemplar com pilosidade sobre o lábio superior. Este belo bigode rematado com duas patilhas dá ao portador da obra de arte um aspecto simultaneamente viril e requintado. O fio "d'oiro" e a exótica camisa conferem a masculinidade e elegância que se exige a um macho latino.

28 de março de 2008

UM SR. BIGODE I


O bigode que transmite confiança! José Inácio, o homem certo com a gravata errada...

31 de janeiro de 2008

VOTAÇÕES

O nosso blog já ganhou fama e tradição em organizar votações estúpidas e sem interesse algum. Ao que parece, em relação à escolha da próxima votação aqui no Gameirices, os estimados leitores estão mais inclinados para a categoria "Maior artista pimba". Admito desde já que não foi a minha escolha mas temos de respeitar a vontade do eleitorado. No entanto, e a pedido de amigos do blog, proponho uma outra nova votação posterior à vencedora do enquete actual: O carro tuga dos últimos 25 anos! Ideias não me faltam mas gostava que escrevessem as vossas sugestões nos comentários deste post,

Obrigado.

26 de novembro de 2007

ZÉ TUGA NO SEU MELHOR

Não sei se reparam mas na passada semana ocorreu uma explosão num prédio em Setúbal. Ao que parece terá sido provocada por uma fuga de gás. A situação em si não tem muita piada, até porque ia mandando para os anjinhos uns quantos moradores. O que de facto me deu vontade de rir foi a peça que a RTP apresentou ontem à noite e que documentava a análise dos técnicos do LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil).

A jornalista (que não sei o nome) começa por descrever o cenário do prédio em risco de colapso como desolador e a fazer lembrar um cenário de guerra. Logo após esta introdução afirma que "durante toda a noite e ao longo do dia de hoje decorreram trabalhos de consolidação do edifício". E quem é que aparece nesse mesmo instante? Zé Tuga, como não podia deixar de ser! Lá está ele! Capacete na carola e bigode lustroso a tapar os buracos das paredes com um bocado de massa. Assim sim! É disto que o país precisa, gente competente. Ora se o edifício está prestes a vir a baixo o que temos de fazer é dar aqui um jeitinho na coisa para ver se isto não cai! E se cair temos de pena. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Para quê guardar ressentimentos?

Isto é Portugal!

Não têm nocão da vontade de rir que me deu naquele instante. Parecia mesmo aqueles tesourinhos deprimentes do Gato Fedorento mas versão real.

Confirmem com os vossos olhos e, logicamente pois (como díria o Figo ou o Paulo Bento) com os ouvidos também. Segundo 10'. Muita atenção, vejam aqui.

6 de outubro de 2007

6-5

O Benfica em 1982-83.

Bigodes 6
Imberbes 5

30 de setembro de 2007

MAIS UM XERIFE


Este é dos grandes, é pena é ser desconhecido...

13 de setembro de 2007

SOCOLARI


Depois de casos como o de João Pinto, no Mundial de 2002, de Ricardo Sá Pinto uns anos antes, e de outros tantos casos de pancadaria relacionados com a nossa selecção, o seleccionador nacional Luís Filipe Scolari ("Felipão") vem quebrar o gelo de cinco anos e mostrar como se devem resolver as coisas à boa maneira portuguesa!

"Ai o menino esta-se a armar em esperto!? Então toma lá uma bolachada que é para ver se aprendes!". Isto foi provavelmente o que passou pela cabeça de Scolari no último jogo contra a Sérvia. Jogo esse de má memória para Portugal. Um empate a uma bola contra uma equipa que, apesar de não ser má, não deixa de ser, teoricamente, muito inferior à nossa...

O que o nosso treinador quis dar a entender é que está totalmente convertido aos hábitos tugas. De facto o episódio foi do mais português que pode haver. Quem é que não se lembra da famosa revolta de Avelino Ferreira Torres no final de um jogo do Marco. Toda aquela azáfama em alvalade, e em especial o murro, levou-me a sentir uma certa nostalgia. Já tinha saudades de uma cena daquelas.

Bem, mas deixando a brincadeira de parte, devo dizer que o que se passou ontem foi absolutamente lamentável e fez-me ter vergonha de ser português. Tantas vezes dou por mim a pensar "qual será a imagem que um estrangeiro civilizado terá de nós?". Bom...se eu fosse alemão, sueco ou austríaco acho que seria a pior possível. Parece que somos sempre falados pelos piores motivos. Pelo caso Maddie, pelos incêndios, por termos o pior crescimento da zona euro, etc. etc. E para além disto ainda temos um seleccionador que gosta de andar à batatada. Espero sinceramente que Scolari seja punido. Talvez assim o despeçam rapidamente. Sim porque pelo andar da carruagem podemos dizer adeus ao Euro. E nem vale a pena pedir desculpa porque como se custuma dizer as desculpas não se pedem, evitam-se!

23 de junho de 2007

A LAVAR EM PORTUGAL

Longe vai o tempo em que eram maus os anúncios a detergentes.

PS - Poucos são os blogs onde a um post intelectual envolvendo Fidel Castro e Abraham Lincoln, se segue um anúncio a detergente com Marante cantando uma versão alterada do seu sucesso Bela Portuguesa.

8 de abril de 2007

PRIMOR VIDEOCLIPÍSTICO

Hoje trago-vos três vídeos do mais puro videoclipismo de qualidade nacional, com chancela pimba.

Primeiro temos o segundo vídeo de Ágata, que depois de Perfume de Mulher continua aqui na saga dos problemas conjugais. Depois do drama da descoberta da traição pelo sacana do marido, agora o referido tenta afiambrar-se à custódia do filhinho, coitadinho. Reparem que mesmo separado da Ágata o marido continua com um aprimorado gosto para gravatas e fatos-de-treino.



Gostaram? Ainda bem. Quando eu for grande também quero ter um pai que me leve a pescar à beira-mar. E especialmente naquele sítio... Tanto peixe que se deve apanhar na rebentação, ui!

De seguida apresento-vos as sensuais Tayti, que com o seu segundo sínguel Devora-me, acabavam por consolidar a sua posição no Monte Olimpo que era na altura para a música nacional o programa Big Show SIC. Estas meninas tinham uns meses antes editado o êxito Mexe o Tu-tu. Mas eu prefiro de longe este Devora-me, tão ou mais sensual do que uma Marylin Monroe a cantar o Happy Birthday Mr. President. Preparem-se para fatos justos de pele de leopardo quase genuína, banhos de espuma, raparigas em pelota debaixo de lenções de cetim pretos, e outras a assar pernas à frente de uma lareira, entradas triunfais na discoteca Planet, pianos, contrabaixos e sopros dignos de jazz. Quem disse que as loiras eram as melhores!? Ruivas e morenas era o que estava a dar nos saudosos 90. Ah! Já agora... Fica também sempre bem aquele toque home made, quase a tocar o filme porno.



E por falar em filmes porno, tomem lá a canção especial de Natal do canal Viver. Sim, esse mesmo. O mítico canal 18, que a partir de uma determinada hora julgo, ou melhor, disseram-me, que dava antigamente umas coisas engraçadas. Bem... Nada como uma canção de Natal para aquecer esta Páscoa. E se tiver pessoas vestidas de branco e/ou com pêlos do peito à mostra, e se a isso se juntar um fundo com um degradé do azul para o roxo, frases como "Aleluia, aleluia, pelos Cristos diários, pelos homens que plantam, pelos santos operários" e nomes sonantes do panorama musical nacional e além-Atlântico como Alexandre Faria, Renato Ferreira, Yoli Planagumá, Marcelo Reis, Maria do Carmo, Marcus Levy, Carla Rodrigues e a pequenita Natasha Levy. Vamos, povos do mundo! Oiçam este hino e rejubilem! Acabem com as guerras e paz no mundo e isso e tal...

26 de março de 2007

GRANDES TUGAS

Salazar fez a dobradinha. Depois de vencer o concurso O Pior Português de Sempre da SIC Notícias, ganhou outro concurso semelhante com 41% dos votos.

Cheira-me que deve andar por aí muito militante e apoiante do PNR com os saldos dos telemóveis negativos. Bem sei que só havia um voto por telefone, mas muita mensagem foi, de certeza, enviada a amigos e familiares a pedir para ligar para um certo número. Ou então mensagens enviadas para números aleatórios com frases como "Ligue para o 760 10 2003 e habilite-se a ganhar um carrinho de compras grátis no Pingo Doce. Se ouvir coisas como «Acabou de votar em António de Oliveira Salazar» é porque está com interferências na linha. Veja lá isso."

Uma das poucas coisas boas proporcionadas por este concurswo foi a possibilidade de ver Odete Santos a espumar pela boca. Se bem que a assobiadela de toda a plateia quando foi revelado o vencedor também me tenha aquecido o coração.

Entretanto fui espreitar o resultado da Eurosondagem, feito com critérios de eleição, e devidamente estratificada, e vejo com agrado que o ditador pseudo-fascista Salazar e o ditador comunista falhado Cunhal ficaram em 7º e 8º, e com 6,6% e 6,3% respectivamente. Portanto, o maior português de sempre acaba por ser D. Afonso Henriques, esse danado, que obtem 21% dos votos. O Camões em segundo (15,2%), o Infante em terceiro (11,2%), João II em quarto (10,5%), seguido de Pessoa (8,8%) e Pombal (7,6%).

Isto da malta andar a escolher o melhor de todos é muito engraçado. É engraçado, porque dos muitos milhares de milhões de indivíduos paridos nesta nossa pátria desde 1143, eu consegui ficar nos primeiros 2000. É claro que foram €0,60 deitados fora, até porque nem à frente do Hélio Pestana fiquei, mas que tem um saborzinho especial estar na mesma lista que o Infante D. Henrique, o D. João II ou Jorge Nuno Pinto da Costa, lá isso tem.

Por falar nisso, quem é que no seu perfeito juízo pensará que o Pinto da Costa é o maior português de todos os tempos? Estou a imaginar a conversa num humilde lar da foz do Douro.

"Cajó - Epá... Deixa cá ver... O melhor português de sempre deve ser o Dr. Jorge Nuno Pinto da Costa.
Alcina - Vê lá bem, Cajó. Não achas que a descoberta do caminho marítimo para a Índia, lá pelo outro, o coiso...
Cajó - O Saramago...
Alcina - Isso... Não achas que não é capaz de ser mai' relevante que ganhar duas ligas dos campeões e ser umas tantas vezes campeão nacional de futebol?
Cajó - Deixa cá ver... Hum... Não. O Jorge Nuno é que é. O que é que o gajo do caminho para a Índia trouxe de bom? Nem sequer há bons jogadores indianos! Lá é só críquete...
Alcina - Se calhar és capaz de ter razão. Vou mudar o meu voto.
Cajó - Isso. Muda. Caminho marítimo para a Índia... Onde é que já se viu. Se ainda fosse para o Brasil ainda tinha valor, que o preço do avião está caro e o árbitro aprecia sempre mais um cruzeiro."

(Isto é puramente fictício. Se há algum casal chamado Cajó e Alcina no bairro da Foz no Porto, é pura coincidência. E se tiverem uma funerária, também é coincidência. Mas estou tranquilo. Até porque não devem existir muitos apoiantes do Futebol Clube do Porto, com funerárias e que saibam que o desporto nacional na Índia é o críquete.)

Também tenho outra teoria para a vitória do Salazar, para além da votação em massa por parte dos fascistóides do PNR. Esta outra teoria prende-se com a necessidade do português ganhar. "Ah, o Salazar está à frente? Então vou votar nele para também eu ganhar!" Por isso é que, se repararem, nas eleições fazem-se sondagens, e depois ganha sempre quem estava à frente na sondagem. O português quer votar naquele que lhe parece que vá ganhar. A eleição democrática, para o português, não passa de um concurso tipo Preço Certo em que a sua função é tentar acertar no vencedor, e quando este põe o boletim de voto na urna não vai a pensar "Epá! Deus queira que ganhe o Sócrates porque ele para mim representa a melhor alternativa para mudar o rumo do país e endireitar a bandalheira que para aqui vai."Ao contrário disso, o tuga diz "Epá! Deus queira que ganhe este em quem eu votei mas que já nem me lembro do nome, porque diz que vai à frente nas sondagens e assim acabo por votar no que ganha, e ser assim mais-ou-menos uma espécie de vencedor também, acabando também por ficar bem visto entre os meus amigos do Grupo Recreativo e Cultural de A-dos-Cunhados."

É também com pesar que verifico que a música está reprensentada por seis personalidades nos 100 mais votados, mas que nenhuma delas representa o estilo musical popular, usualmente conhecido por Pimba. Aonde é que o Padre António Vieira é superior a Quim Barreiros? O Padre foi umas 5 ou 6 vezes ao Brasil, enquanto Barreiros não só foi ao Brasil como também se deslocou a muito mais outros países com comunidades portuguesas. Porquê a ausência de Ágata? Certamente a Mariza e a Amália abafaram esta magnífica intérprete com as suas cançõezecas melancólicas e de tristeza falsa. Queriam uma tristeza forte e verdadeira, votavam na Ágata e seus dramas relativos à custódia de filhos, à traição conjugal e ao abandono de criancinhas, coitadinhas.


PS - Quem é Hélio Pestana?

25 de março de 2007

O MELHOR VÍDEO COM ACORDEÕES E MAPAS DE PORTUGAL A FAZER DE FUNDO



O Brasil tem Iran Costa e os seus video clips feitos em cima do joelho. Portugal responde com Rui Alves e o seu acordeão cor-de-vinho. Apreciem o magnífico trabalho de realização, e digam lá se não parece que o Rui Alves pediu a um sobrinho que trabalha com torradeiras e que por isso "há-de ter jeito para coisas de tecnologia" para lhe amanhar uma coisa para aparecer no Made In Portugal.

1 de março de 2007

DUO DINIS E FERNANDO, AVENTURA NOS COPOS



Este senhor era, por incrível que pareça, contínuo na minha escola. Não era bem contínuo, o ilustre Sr. Dinis fazia de tudo, desde arranjos nos portões, como também lixava mesas e fazia trabalhos manuais afins. No entanto, desde que o conheci, tinha como principal habilitação académica uma especialização em arranjos de portas de cacifos. Era um senhor de temperamento exaltado, se bem me lembro. Se é que se pode chamar a um arremeço de um serrote a um aluno "temperamento exaltado". Por trás, se repararem, o pançudo de bigode era o contínuo do ginásio... O Sr. Fernando. Um gajo impecável e com mau hálito.

Agora um aviso para a senhora esposa do Sr. Dinis, aquilo não é o seu marido. Era um holograma que parece que há muito agora na Baixa. Ou então era mesmo ele a "andar nos copos".

Que saudades, pá!


PS - Para quando um Sr. Manel Casaca, um Sr. Luís ou um Sr. Adão?

PPS - Um forte bem-haja a Pedro Laranjeira, e um muito obrigado por ter encontrado esta pérola.