30 de novembro de 2006

OVERDOSE DE PONTUAÇÃO

Aha! Já posso escarnecer!

Contagem de pontuação do post "Análise da semana - a mais completa" de DGC:
- Vírgulas: 5
- Pontos de exclamação: 4
- Pontos de interrogação: 2
- Travessões: 2
- Reticências: 2
- Pontos finais: 2
- Parêntesis: 1 (Ou 2... Mas são indissociáveis.)

Análise

Claramente DGC aparenta ser ponderado. Uma pessoa pausada e que pensa os seus argumentos, como demonstra o elevado número de vírgulas. Algo que também transparece é a brutalidade, patente na constante utilização de pontos de exclamação: 5 (!). DGC gosta de contrastes. Pausas virgulares intercaladas com desconcertantes exclamações e admirações. Irascível, mas no entanto pausado e reticente. Podemos também destacar quer a sua reticência (reveladora de pergunta retórica) utilizada por 2 vezes, quer a sua interrogação pertinente (2 vezes também), relacionada com os problemas da sociedade moderna. Recorre até ao interrobang separado, imagine-se. Reticências e pontos de interrogação surgem em igual número de vezes aos dos pontos finais, ou seja, estão ao nível do ponto que não revela nada, o ponto do mistério. Um discurso exclamativo, pausado, retórico, e, no entanto, intrigante e místico.

Tudo isto é bonito. Eu, que queria troçar, vejo-me forçado a recorrer a uma falha menor para o fazer: parêntesis ou travessões? Decide-te DGC. Assim é que não. Servem os dois para o mesmo. Se bem que, hum... Pensando bem... Um parêntesis em Faculdade de Economia - Universidade Nova de Lisboa não ficaria lá muito bem. Raios!

JGP


PS - Utilizei neste post 16 pontos finais, 16 vírgulas, 10 "dois pontos" (diz-se assim?), 4 pontos de exclamação, 4 parêntesis, 3 reticências, 1 ponto de interrogação e 1 travessão. Claramente sou um homem sem expressividade nenhuma e muito monótono. 16 pontos finais? O que é isto? Vergonhoso... Mais emoção! Mais indignação! Isto não é para adormecer o leitor! 10 "dois pontos"! Nojento... Para quê tanta explicação e demonstração? Para quê listagens de pontuação! Para quê?


PPS - Lembrei-me agora que MAS criticou há dias o meu critério de colocação de vírgulas. "Parvo e imbecil", como o classificou, diz MAS que o meu discurso é confuso, extenso, absurdo e revelador de escrita em cima do joelho. Hei-de me vingar MAS. Hei, de, me, vingar,

ANÁLISE DA SEMANA - A MAIS COMPLETA

Para contrariar as estatísticas, e para alegrar JGP sou obrigado a ter de escrever algo! Bom...o que é que há para dizer!? De facto não sei o que se passa ali para os lados da europa de leste, será que AV foi mais umas vítimas dos envenenamentos de Vladimir Putin? Parece que sim...vamos esperar por mais informações sobre este caso para as pudermos publicar!

Passando à actualidade nacional, o grande acontecimento da semana foi de facto a revolta dos seguranças da FEUNL (Faculdade de Economia - Universidade Nova de Lisboa). Para quem não sabe, os pobres homens foram obrigados a ter de montar a árvore de natal da faculdade. Coitadinhos, acho que até deviam organizar uma greve de protesto contra a exploração do trabalho!

DGC

BALANCETE

JGP lidera com grande vantagem. O pelotão segue bem atrás.

O Gameirices fez há dois dias 2 aninhos. Já está um rapagão. No entanto, só amanhã fará 3 meses desde o dia em que disse as primeiras palavras a sério.

Vamos a contas.

JGP partiu com vantagem e lidera o pelotão com 28 posts e meio. MAS e DGC degladiam-se pelo segundo posto com 2 e 1,5 posts, respectivamente. Já AV parece que se esqueceu que existem coisas como este blog, a Internet, Lisboa ou Portugal.

Portanto, é claramente visível o total monopólio de posts por parte de JGP. Monopólio, aliás, digno de uma famiglia Corleone. Por isso, peço-vos. Invertam-me isto, pá! Escrevam, sua cambada de molengas! Isto assim não tem graça. Quero dizer mal de vocês e da maneira como escrevem! Quero poder citar-vos a dizerem coisas contradictórias e estúpidas! Quero apanhá-los e umilhá-los por cauza de um calquer erro horográfico! Proporcionem-me esse prazer, por favor...

E agora uma mensagem para terras centro-leste-europeias. Caro cidadão checo, caso tenha visto António da Costa Teixeira Cruz Veiga perdido pelo submundo criminal de alguma cidade do seu país, ou mesmo preso dentro de algum lago congelado, por favor comunique. Esse senhor tem doenças, ossos, nervos e músculos para decorar e um avião para apanhar dia 14 de Dezembro.

Caso a tendência actual continue até ao início de 2007, estou em condições de afirmar que adoptarei um alter-ego de nome Aurélio Soares, chefe de família, funcionário da repartição de finanças do Lumiar, sócio do Belenenses e careca. Desta forma repartirei os meus posts de modo a que isto pareça menos dictatorial.

Com mil demónios, escrevam!

JGP

22 de novembro de 2006

SÉSAMO VS. PISTAS





Não admira que as gerações vão sempre piorando. Reparem na evolução.

19 de novembro de 2006

FOLEIRO OU PIROSO?



O mais piroso desenho-animado da história da nossa infância ou o maior festim de foleirice de sempre?

JGP

15 de novembro de 2006

ADIVINHA DE NOVEMBRO

Qual é coisa, qual é ela, cai ao chão e levanta-se escrevendo livros muito ressabiado?

Pedro Santana Lopes.

JPG

PS - Nada como uma piada política para parecer uma pessoa actualizada.

13 de novembro de 2006

MORRER OU MORRER, EIS A QUESTÃO

O que pergunta um actor mal sabe que vai entrar num filme de Martin Scorsese?

"Então, e eu vou ser daqueles que morre no princípio, no meio ou no fim?"

JGP

12 de novembro de 2006

DÓ É FÁCIL DE CANTAR. RÉ TAMBÉM, OU TALVEZ NÃO.

Há uma coisa que me faz espécie. Porquê dizer-se Oxford, Cambridge e Liechtenstein, quando belas versões alusitanadas existem? Oxfórdia, Cambrígia e Listenstaina. Outra coisa que me dá um treco lambreco quando oiço é a versão portuguesa da música Do-Re-Mi do filme Música no Coração. Aqui têm a versão original, onde se faz uma laracha linguística com o facto das notas musicais serem homófonas, ou pelos menos, parónimas, de outras palavras inglesas de sentidos diversos.

Angliú
"Do, a dear, a female dear, [Doe = veado fémea]
Re, a drop of golden sun, [Ray = raio de sol]
Mi, a name I call myself [Me = eu]
Fa, a long long way to run [Far = longe]
So, a needle pulling thread [Sew = coser]
La, a note to follow so [Pois...]
Ti, a drink with jam and bread [Tea = chá]
That will brings us back to Do!
Do, re, mi, fa, so, la, ti, do!
Do, do!
"


E agora, a versão nacional...

Tuga
"Dó, é fácil de cantar,
Ré, também, ou talvez não,
Mi, é música no ar,
Fá, dentro do coração,
Sol, vontade de chegar,
Lá, logo a seguir ao sol,
Si, está quase a acabar,
E volta de novo ao dó!
Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó!
Dó, dó!"

Vamos por partes. "Dó, é fácil de cantar". Sim, até que é. Uma pessoa quando quer cantar um dó consegue normalmente à primeira. Mas logo de início se desfaz a piada de toda a música em inglês, o trocadilho. Bem, depois vem o verso que mais abomino: "Ré, também ou talvez não". Porquê? Mas porquê? É também fácil de cantar, é certo. Mas depois é levantada a indefinição: "ou talvez não". Então qual a razão de se falar no ré como sendo fácil de cantar, tal como o dó, se no fundo até pode ser que não seja? Suspeito de tentativa abusiva de rima com a palavra "coração" do 4.º verso. De seguida temos "Mi, é música no ar". Igualmente sem sentido. Como sabemos, as ondas sonoras propagam-se no ar, mas segundo o autor da tradução isto sucede apenas com o mi. E depois vem a explicação. Só o mi se propaga no ar, pois o fá está preso dentro do sistema cardíaco de alguém: "Fá, dentro do coração". Depois: "Sol, vontade de chegar". Porquê? Mas porquê, meu Deus? Quem foi o cretino que julgou que a vontade de chegar estaria bem aqui? Qual o sentido? Trocando o mi com o sol ficava igual. "Mi, vontade de chegar, / Fá, dentro do coração, / Sol, é música no ar". As coisas estão lá só para rimarem umas com as outras e sem qualquer tipo de ligação às notas que se dizem no princípio do verso. "Lá, logo a seguir ao sol", este é o único verso que respeita a tradução original. É engraçado como o único onde isto acontece é no verso mais desenxabido da música em inglês, o único que não tem trocadilho. "La" não quer dizer absolutamente nada em inglês, todos sabemos. Mas o que me salta à vista é o facto de existir em português! Lá = naquele lugar. A seguir temos a minha preferida "Si, está quase a acabar", porque, pensando bem, já não era sem tempo.

Agora vejam:
Dó, s.m. Comiseração. Compaixão, lástima. Tristeza. Luto.
Ré, s.f. Mulher acusada de um crime; mulher criminosa; autora (de crime). Parte do navio entre a popa e o mastro grande; popa.
Mi, pronome. A mim
Fá, pois...
Sol, Astro que ocupa o centro do nosso sistema planetário, e que dá calor e luz aos planetas que gravitam em torno dele. Astro. Estrela. A luz e o calor do Sol. Luz. Calor. Círculo de doze raios, com esmalte de oiro, nos brasões. Peixe plectógnato. O nascente ou a banda do nascente. Fig. O dia. Grande resplendor. Génio.
Lá, adv. Naquele lugar. Entre aquela gente. Naqueles povos. Para aquele lugar; aquele lugar. Ao longe. Além. Pois. Nesse tempo. Contigo. Convosco. Afinal.
Si, flexão do pron. ele, quando é precedido de prep. A alguém. Ao interlocutor.

Dó, é pena de alguém
Ré, a popa de um navio
Mi, sou eu e mais ninguém
Fá, logo a seguir ao mi
Sol, o astro lá no céu
Lá, sítio longe daqui
Si, algúem que está a ouvir
E volta de novo ao dó!
Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó!
Dó, dó!

E digam lá se não está mais catita?

JGP

PS - Se a tradução do título do filme já é o que é (Sound of Music -> Música no Coração), como poderíamos esperar uma boa tradução da letra?

COISAS TÃO BONITAS MUNDO ALÉM QUE A VIDA TEM

A Minha Guitarra, Tony Carreira.
"[Verso]
Com a minha guitarra percorri
O mundo e com ela conheci
Coisas tão bonitas mundo além que a vida tem
Que bonecas lindas namorei
Por certas eu confesso que chorei
Mas ficar muito nunca foi pra mim, eu sou assim
[Refrão]
Adeus amor, mas tenho o mundo à minha espera
E a Primavera pode acabar
Adeus amor, eu ando à roda com o mundo
Sou vagabundo, não vou parar
Gosto delas loiras ou morenas
Bonitas sejam grandes ou pequenas
Que falem grego, russo ou irlandês, ou português
Seguindo sempre em frente outro caminho
Só uma nunca me deixou sozinho
Sempre andou comigo pela estrada, a minha guitarra
[Verso]
[Refrão 4x]"

Por muitos capachinhos que use, com letras como esta há-de encher sempre Pavilhões Atlânticos.

JGP

CONHEÇAMO-NOS

"E Adão conheceu Eva, sua mulher, e ela concebeu e teve Caím, e disse: Alcancei do Senhor um varão." (Génesis 4:1)

E assim descobrimos, nós, agnósticos praticantes, um novo significado do verbo conhecer. E nós, amantes do humor negro, logo podemos imaginar, por exemplo, Carlos Silvino no banco dos réus: "Sim, Meretíssimo, conheço esses rapazes. E admito, sim, conheci-os muitas vezes." Ou então, umas mais fáceis: "Eh pá! A Elsa Raposo conhece tanta gente!", ou então "Conhece, mas usa protecção", ou mesmo "Vai-te conhecer!" ou "Este exame é conhecido." Já a frase de engate "Posso-te conhecer?" ganha todo um novo sentido.

JGP

11 de novembro de 2006

COLHER, INCLUSIVE, MAGAZINE, VIBRISSAS

Decidi-me finalmente a investigar as dúvidas suscitadas no PPS do post Teorema da Telenovela e na letra da música de abertura do programa Diz Que É Uma Espécia de Magazine. Além disto dou-vos a conhecer o significado de vibrissas. Aceitam-se outras sugestões para um sábado à noite.

Diminutivo de colher?

Podemos confirmar aqui, que, quer colherzinha, quer colherinha são aceites em Português.

Acentuação de inclusive?

E aqui, um tal de Sr(a). C.M. (Câmara Municipal?), cita o Vocabulário da Língua Portuguesa, de Rebelo Gonçalves, dizendo que inclusive não tem acento, mas pronuncia-se com o E aberto (è).

Letra da música de abertura de Diz Que É Uma Espécie de Magazine?

"(...)
Nós vamos fazer humorismo
Recorrendo sobretudo à pilhéria
(...)

Escarnecer e criticar, maldizer e achincalhar
Será um pouco isto que iremos efectuar

(...) "

Quanto à parte,
"(...)
Mas vamos também discutir
Vamos (???) à séria
(...)
"
ainda não descortinei.

Bom, dúvida desfeita. Clientela satisfeita.

Vibrissas?

Vibrissas, s.f. pl. Pêlos que se desenvolvem nas fossas nasais. (Do Latim vibrissae).

JGP
PS - Entretanto descobri que a música é de David Fonseca, mas obviamente a letra não. Porque senão teríamos algo como:

(One, two, three, four)
They say it's a kind of magazine
They say it's a kind of magazine
We're gonna make humor
Using almost raillery
But we're also gonna discuss
We're .... seriously
Let's say
That there will be varieties
And we will say the truths
In the old fashioned way, like Gil Vicente and all
They say it's a kind of magazine
They say it's a kind of magazine
To sneer and criticize, slander and scoff
This'll be a little bit of what we'll effectuate.
(And every now and then naked women will pop up)

EXPRESSO DO ORIENTE

Há aqueles que dão uma olhada no Público e ao fim-de-semana compram o Expresso ou o Sol. Também há os outros que devoram A Bola e a intercalam com o Destak. Eu vou mais longe. Tenho um fascínio por um outro periódico. Mensal, de carácter regional. Chama-se Expresso do Oriente. E, para quem não sabe o Expresso do Oriente é um jornal local gratuito distribuído ao domicílio nos bairros lisboetas (e lourenses) da Portela de Sacavém, Moscavide, Parque das Nações, Santa Maria dos Olivais e Marvila, tendo tido até distribuição no Beato nas suas edições iniciais.

O meu fascínio por este jornal deriva de muitos factores, que começam no seu grafismo de letras Word, e acabam no seu conteúdo, que todo ele gira em torno da agitada vida na zona oriental de Lisboa e seus arrabaldes. A título de exemplo, a notícia de capa para o mês de Novembro era a seguinte: "Serviços judiciais mudam-se para o Parque das Nações: O Ministério da Justiça vai concentrar as instalações dos tribunais de Primeira Instância de Lisboa no Parque das Nações, num complexo de escritórios com dez edifícios e 200 mil metros quadrados de construção".

Esta era secundada por mais três reportagens de peso: "Ser polícia é um gosto que nasceu comigo" (entrevista com a Sub-Comissário da 34.ª Esquadra da 2.ª Divisão da PSP de Lisboa em Santa Maria dos Olivais - página 8); "Ninho de ratos" (reportagem em torno de um ninho de ratos que se formou nas obras paradas de um parque infantil na Rua das Bússolas no Parque das Nações - página 10); e "A minha escola é o meu mundo" (entrevista a Ivan Ivanof, imigrante búlgaro, professor na escola EB 2,3 de Marvila - página 3). Ao lermos o jonral, sentimo-nos tocados pelo modo como nos aproximamos emocionalmente dos intervenientes das notícias do mês. A pequena introdução da página 8 faz-me pensar que conheco a Sub-Comissário Lúcia Silva desde o jardim-de-infância: "Em pequena brincou com bonecas. Hoje «brinca» com armas... Aos 28 anos, Lúcia Silva é Sub-Comissário da PSP e comanda 60 paramilitares." Para além das notícias de capa, o jornal oferece todo um conjunto de destaques que, é certo que menos importantes que os da capa, não ficam atrás na maneira como informam o desprevenido leitor que, desde a Expo'98, nunca havia reparado que aconteciam coisas na zona oriental de Lisboa .

Entristece-me, no entanto, que a parte criminal, tão profícua nesta zona, tenha direito apenas a uma coluna na página 12. "Casos de polícica", como é chamada, fala-nos este mês de três crimes: "Mulher agredida e sequestrada", "DVD's e CD's apreendidos" e "Contrafacção em Marvila", todos muito pouco desenvolvidos. Se bem que a nível criminal surja também na página 2 a notícia de uma mãe residente em Chelas que agrediu uma professora da Escola Básica do Primeiro Ciclo n.º 54.

Contudo, não são só as notícias que me fascinam. O espaço à opinião pública (numa secção inicial com cartas e e-mails, e mais à frente na chamada Página do Leitor) é dado aos mais variados quadrantes da sociedade que vão desde os idosos , aos velhinhos, passando pelos reformados. Comovente é o poema de José Barros, na página 2, que aparentemente terá sido enviado por um leitor (o próprio Sr. Barros?).

Aqui ficam as duas últimas quadras do poema Outono:

"(...)

Foram-se embora as andorinhas
Ficam mais tristes os beirais
Essas alegres e lindas avezinhas
Tudo deixam entregue aos pardais

É assim sempre a rodar
Todos os anos de igual maneira
Para o ano tudo vai voltar
Parecendo de facto uma canseira.

José Barros"

Diria que o podemos classificar como um novo Cesário. Parecendo simples, o busílis de todo o poema reside nos últimos dois versos. O que vai voltar? As andorinhas? Tudo sempre a rodar? A brisa que deixa de soprar e o vento que sopra mais forte? (acontecimento a que faz referência na 2.ª estrofe) E porquê uma canseira? Estará o Sr. Barros cansado de ver o tempo passar, incorrendo assim numa espécie de meditação sobre a vida e morte? Ou estará simplesmente cansado de que seja tudo "assim sempre a rodar"? E já agora, também depreendemos aqui um ódio pessoal aos pardais, que aproveitando-se da ausência das andorinhas, "essas alegres e lindas avezinhas", ocupam os beirais alheios deixando pessoas como o Sr. Barros muito tristes.

[Texto retirado. Ver explicação aqui.]

JGP
PS - Podem confirmar tudo o que aqui se disse no pdf do sítio oficial do Expresso do Oriente.

6 de novembro de 2006

ENGANEI-ME, CATANO!

A viver em Portugal, mas proveniente de Itália, um estimado leitor amavelmente corrigiu-me a respeito de um erro crasso que havia cometido. Para que todos vejam. Eu falhei! Sim, pois foi. Como me vou castigar ainda não decidi, talvez José Cid, mas baixinho.

"E aonde foi que tu te enganaste, caro João?" - perguntará o atento leitor que há dois parágrafos espera ansiosamente pelo erro, e há uns meses anseia pela minha infortúnia.

Segundo nos diz Giovanni Saponaro, o erro ocorreu na expressão "comida que faz mal ao corpore e bem à mens" que utilizei num post de apresentação de 19 de Outubro de 2006, pois em Latim "corpore é caso ablativo, corpus é nominativo. Ou seja, tu não podes pôr uma preposição declinada + nome declinado (por exemplo no caso ablativo, como fizeste), mas tens de escrever preposição declinada + nome não declinado (= nominativo)." Isto é, devia ter dito: "comida que faz mal ao corpus e bem a mens".

Não há nada como um especialista, por isso,

Grazia mille, Giovanni.

JGP

O PORTUGUÊS: PARTE I

Como portugueses cabe-nos defender os da nossa estirpe. No entanto, decidimos iniciar hoje a nossa apreciação no que toca ao ser físico e psicológico, assim como comportamental do típico "tuga". Aquele que observamos diariamente em qualquer ponto do território nacional.

Vamos por partes. História.

Desde a pré-história, o homem primitivo que ocupava o actual território luso desenvolveu um carácter típico notável. Este carácter prima por uma quase total ausência de vestígios deixados em comparação com o resto do Mundo. O cromeleque dos Almendres e as pinturas rupestres do vale de Foz Côa são résteas míseras da bandalhada que por cá assentava arraial. E mesmo estes dois, segundo consta, eram tipos de arte démodé para uma época onde o nosso planeta via florescer civilizações como as do Crescente Fértil, Egipto, Anatólia, Grécia e Creta. Por cá a rapaziada andava a colher bagos, a pescar peixes de rio e a andar a mocada. Entre Lusitanos, Conni, Bracari, Celtici, Coelemi, Equaesi, Grovii, Interamici, Leuni, Luanqui, Limici, Narbasi, Nemetati, Paesuri, Quaquerni, Seurbi, Tamagani, Tapoli, Turduli, Turduli Veteres, Turdulorum Oppida, Turodi e Zoelae reinava a anarquia e, ao contrário das grandes civilizações onde predominava a lei do mais forte, por cá já se difundia com muito sucesso a lei do menor esforço. A escrita surge 3.100 anos depois de ser inventada, e enquanto os Olmecas, na América , já construiam enormes pirâmides com inscrições.

Gregos, Fenícios e Cartagineses chegam à Península e montam o estaminé na costa mediterrânica espanhola, ingnorando a escumalha do oeste peninsular. Os Romanos chegam às fronteiras da grande civilização lusitana e deparam-se com o seu majestoso chefe, um pastor com curso militar saído na farinha Amparo: Viriato. Desenrascando-se como podem, os nossos antepassados, à calhauzada e paulada, aguentam os exércitos organizados de Roma. Tudo isto, para depois, serem dois pré-tugas a trair Viriato vendendo-o aos Romanos por uma ânfora de vinho e uma ração de favas.

Depois vieram os bárbaros, que comparados com as gentes locais passavam por finos membros da aristocracia germânica. Os árabes seguiram-se, falhando na imposição do seu modo de vida, mas conquistando a nossa pátria mãe com uma perna atada às costas, ao pé-cochinho e vendados. A seguir veio a Reconquista, e foi preciso vir um nobre da Borgonha para criar um paiseco perdido. Esse país evoluiu até ao ponto em que se encontra hoje, tendo esta evolução ocorrido nas duas primeiras semanas do reinado de D. Afonso Henriques, já que desde aí a bandalheira e o forrobodó predominam imemorialmente no estado de espírito nacional. O dia em que D. Afonso fez a barba, deixando a pilosidade entre o lábio superior e o nariz intacta, marcou, nesse dia, o rumo da nação. Com o bigode do Afonsinho nasceu a quase milenar tradição da bigodaça farfalhuda e despenteada, que preencheu de glória as páginas da nossa história.

Continua...

DGC / JGP

5 de novembro de 2006

DIZ QUE É UMA ESPÉCIE DE QUÊ? NÃO PERCEBO, FALEM MAIS ALTO.

Neste domingo, dia 5 de Novembro, é exibido na RTP1 o segundo episódio de Diz Que É Uma Espécie de Magazine, o novo formato do Gato Fedorento, ou como diria uma boys (ou girls) band, o seu "novo trabalho", ou então a variante "novo sínguel", tão ouvida em programas saudosos como a Roda dos Milhões ou Big Show SIC.

Achei o primeiro episódio sofrível, mas dou-lhes esta segunda oportunidade, ou chance, que é mais catita.

Aqui fica o que percebi da música de abertura (aquilo que mais gostei nesta nova série).

(Un, deux, trois, quatre)
Diz que é uma espécie de magazine
Diz que é uma espécie de magazine
Nós vamos fazer humorismo
... por toda a pilhéria
Mas vamos também discutir
Vamos ... à séria
Digamos
Que vai haver variedades
E vamos dizer as verdades
À maneira de antigamente, tipo Gil Vicente e tal
Diz que é uma espécie de magazine
Diz que é uma espécie de magazine
... e criticar, maldizer e achincalhar
Será um pouco isto que iremos efectuar
(E de volta e meia também vão aparecer gajas nuas)

JGP

PS - Complete os espaços preenchidos por reticências e habilite-se a ganhar um boletim do Euromilhões por preencher, por uns míseros €1,50, mais IVA.

TEOREMA DA TELENOVELA

Teorema e não teoria, pois está provado.

Vi recentemente o último episódio da novela portuguesa Fala-me de Amor, na TVI. Depois de me autoflagelar durante algumas horas venho comunicar o que sinto. E sinto-me com fome, mas para além disso, também sinto alguma repulsa com uma colherzinha-de-chá (colherinha?) de vontade para cascar.
Não é que veja novelas. Vá lá, digamos que as vejo de soslaio quando passo pela sala a caminho do computador. Aliás, livrei-me dos Morangos com Açúcar há pouco tempo, tendo, inclusivé (com ou sem acento?) ultrapassado já a fase de abstinência.
A minha teoria, a qual confiantemente classifico já de teorema, foca os principais pontos que fazem da telenovela um subgénero menor, dentro do género "lixo televisivo". Por pontos:
1. Uma novela avança em tempo real do primeiro episódio ao penúltimo episódio, enquanto no último o tempo que passa é dado pela equação tempo = nº total de episódios / 2, em meses, i.e., numa novela de 46 episódios passam 23 meses no último episódio, enquanto que o tempo normal de um episódio corresponde a um dia.
2. Numa novela, tudo o que interessa acontece no primeiro e no último episódio, enquanto que do episódio 2 até ao penúltimo tudo o que se passa reveste-se de um carácter "palha", a que os entendidos se gostam de referir como "produto alimentar para ruminantes".
3. Numa novela as personagens não evoluem psicologicamente ou, quando evoluem, é drasticamente do "lado do mal" para o "lado do bem". Atenção, caso veja uma novela em que um "bom" se torne "mau", então não está a ver uma novela e encontra-se pura e simplesmente a meio de um sonho mau.
4. Numa novela não há preocupações com a coerência, nem com a existência de buracos no enredo. "Ah, então o Quimbé e o Zé Tó não se conheciam, e só têm a empregada de limpeza em comum, e aparecem aqui num café a conversar feitos amigos de infância? Eh pá, deixa tar, ninguém nota."
5. Os temas são sempre escolhidos de uma lista secretamente fabricada em 1854 por um escritor de folhetins holandês. Entre eles destacam-se 10: o grau de parentesco desconhecido (irmãos que não se conhecem, pais e filhos que não se conhecem), gémeos (ou, vá lá, irmãos) totalmente opostos nas suas personalidades, choque família rica-família pobre (casal misto não aceite pelas famílias, gravidez de um mesmo casal, inimizade antiga, ricos maus, pobres bonzinhos, classe média inexistente), choque entre gerações (pais e filhos que fazem faísca, tradição vs. evolução), mal entendidos (entre casais, irmãos, ricos e pobres), casalinho principal que se conhece no início da história e ao longo da novela se zanga no mínimo 12 vezes e que acaba inevitavelmente junto, existência de uma personagem "palhaço" (normalmente com um nome engraçado, género "Chico Pastor", "Zé da Burra", "Tó Pimpolho"), criancinhas (obrigatório), casamento e funeral, queda em desgraça (morte, prisão, ruína) ou redenção dos "maus".
6. Inexistência de uma história com princípio, meio e fim. O enredo topa-se à distância que é escrito dois dias antes das gravações, e ao sabor do vento ("Então, matamos este?" - "Não, a mãe morre e ele tem de ir para o estrangeiro"). Se há audiências, então acrescentam-se mais 23 episódios de palha onde acontecem coisas relevantíssimas como o problema de não haver nozes para o bolo de anos de alguém, ou um qualquer grave acontecimento como o torcer de um pé de um indivíduo.

Existem muito mais pontos neste meu Teorema da Telenovela, mas já é tarde e os meus olhos já não são como o antigamente. Por isso, pensem neles vocês, enquanto esperam que acabe o intervalo da Floribela.

Uma última coisa que gostava de deixar no ar. Já repararam que quando alguém tem de desaparecer (por saída do actor ou por outra razão qualquer) se utilizam as mais esfarrapadas desculpas? Em Fala-me de Amor acontecia episódio sim, episódio não. Em dois episódios a filha de um casal vai viver para Londres e não volta a aparecer, num curto espaço de tempo arranja-se maneira de matar a protagonista que durante 400 episódios andou em busca do filhinho perdido, a empregada tem de ir para França de repente devido a uma doença súbita da mãe, a miúda violada foge para Milão a meio da noite muito perturbada (mas só o faz 200 episódios depois da violação), etc...

Portugal é único país da Europa (empatado com a Madeira) onde telenovelas são líderes de audiência e passam em horário nobre. Porquê Nun'Álvares? Porquê ganhar Aljubarrota? Só para fazer pirraça?

JGP

PS - 1. Teorema, s.m. Qualquer proposição que, para ser evidente, precisa de demonstração. [Do Latim theorema]
2. Teoria, s.f. Conhecimento limitado a princípios ou à especulação, sem passar à prática. Conjunto de princípios fundamentais de uma arte ou ciência. Sistema ou doutrina acerca desses princípios. Hipótese. Noções gerais. Utopia. [Do Latim theoria]
3. TVI, s.f. Matéria fecal. Fezes que o intestino normalmente expele pelo ânus. Excremento. Dejecto. Porcaria. [Do Latim merda]
4. Autoflagelar, v.t. Bater-se a si próprio com flagelo. Castigar-se. Torturar-se. Incomodar-se, enfadar-se. [Do Grego autos e do Latim flagellare]
5. Cascar, v.t. e i. Bater, dar pancadas. Retorquir com azedume. Chegar, carregar, afinfar. [Do Castelhano cascar]
6. Cassidários, m. pl. Tribo de insectos coleópteros tetrâmeros, a que pertence a cássida. [De cássida, por sua vez, do Latim cassida]



PPS - Tenho pachorra de pesquisar o significado destas palavras mas, ao mesmo tempo, ignoro as dúvidas relativas à formação do diminutivo do substantivo colher e da acentuação da palavra inclusivé. Intrigante.