24 de novembro de 2009

QUASI RITORNO

Olá! Lembram-se de mim? Escrevia neste blogue há um bom par de anos, e até fui eu que o fundei. Decidi voltar cá há umas semanas mas demorei um bocado a tirar as teias, a lavar o chão, a pôr Pronto nos móveis, e à espera dos homens da desinfestação.

Escrevo-vos esta posta diretamente de Varese, terra a cerca de 55 km de Mião. Estive cá seis dias numa espécie de visita relâmpago ao norte de Itália para ver o que ainda não havia visto quando cá estive em Erasmus.

Depois de uma maratona de seis dias em que o comboio se revelou uma cama bastante razoável e o dormir sentado se tornou um lugar-comum, posso dizer-vos que Itália é mesmo catita. Não que ainda não o soubesse... Foi mais para escrever a palavra catita, se bem que janota também dava para o efeito.

Para além de Varese, voltei a Milão, vi Parma, Génova e Turim. O adjetivo para isto tudo é: altamente, se bem que é um advérbio, mas julgo que não haja desse lado ninguém que se lembre de português do básico ou que ande de gramática ao lado do computador.

Varese é minúsculo, mas o centro é engraçadote e amanha de manhã antes do voo ainda vou ver o mais importante. Milão estava no mesmo sítio, mas mais frio. Parma é pequena mas arranjada. Uma praça imponente, um Duomo così-così e muita gente na rua. Génova é a confusão! Incrustada em montanhas e junto ao mar, é a típica cidade portuária com tudo engalfinhado e montes de bairros com ruas medievais do tamanho do ecrã do laptop onde estou a escrever. Não diria que é imperdível, mas é daquelas coisas que se perderem é coisa para vos deixar melindrados. Já Turim é a surpresa: ENORME é a palavra (e maiusculada). Imaginem a Baixa de Lisboa mas multiplicada por 10, e com zonas medievais, renascentistas, setecentistas e oitocentistas, para além de pequenas obras góticas, românicas, ruínas romanas, e muito, muito Barroco. Tem um rio (o Pó), um monte no meio da cidade com um miradouro fabuloso (segundo dizem, já que o nevoeiro fez questão de me mostrar quem manda), e palácios a cada esquina. Dá a ideia que esta gente de Turim plantava palácios quando lhes dava na real gana. É que parece que há mais palácios lá do que pelos na minha barba (E eu nem fiz a barba cá! Espero não ter problemas no aeroporto).

Resumindo, foi bom matar saudades de arranhar italiano, de ser roubado nos cafés a toda a hora (0,90€ é de gritar "Pega que é gatuno!"), de dizer "Non vogliamo niente, grazie" aos senegaleses e indianos, de comer kebabs, de encontrar praças Garibaldi (e sua respetiva estátua, sempre diferente, ora com barba, ora sem, ora a cavalo, ora a penantes), XV de Aprile, Cavour, della Repubblica e Vittorio Emanuelle II e ainda Duomos grandalhões em tudo o que é terriola, de rapar frio, de comer pasta com salsichas, dos McDonald's ao preço do ouro, de ter dores nos pés de andar, do "Attenzione: allontanarsi dalla linea gialla" (Atenção: afastar-se da linha amarela) das estações de comboios, de ver igrejas até o próprio Deus estar farto de me ver a rondar o spot dele, de acordar cedíssimo, de encontrar sempre farmácias ao lado de Tabacchi, e de me lembrar de Pisa (que nem sequer fica por perto) a cada esquina! Isto de Itália é giro, pá. Um dia venham cá, em vez de gastarem notas pretas a ir para Brasis e Caraíbas...

Amanha volto a Portugal, terra das coisas baratas e da família e amigos, mas um pouco do coração está ainda cá. Vá, do coração talvez não... Um pouco da vesícula biliar ou do perónio, não sei.

PS - Não matei saudades da Ryanair e da tortura física que é fazer Lisboa-Porto-Local designado-Porto-Lisboa, já que vim pela Easyjet.

1 comentário:

DGC disse...

Toda esta descrição faz-me pensar "Mas porque é que eu não fui?!". Enfim, fica para a próxima. Este fim de semana até não tive muito que fazer mas não ia advinhar. Quando chegares dá notícias aqui ao gimbras.