8 de setembro de 2006

OBRAS-PRIMAS DO COMENTÁRIO DESPORTIVO

Não sei se já repararam no novo comentador de futebol da RTP, o catita Hélder Conduto, que nos enche a casa de alegria, com as suas informações preciosas nos jogos da Selecção em que de 5 em 5 minutos nos informa o local de nascença e local de infância dos nossos bem-amados jogadores.

No Portugal-Finlândia tivemos presentes como estes:

"E Tiago, jogador nascido em Viana do Castelo no bairro da Rosinha Encarnada, enquanto Ricardo Rocha, proveniente de Santo Tirso, onde jogou nos infantis do Tirsense depois de sair das escolas do "Botinhas Azúis", se encontra deitado a receber assistência, vai entrar"

"E o finlandês Teemo Tainio, que em 1998 jogou frente a este homem que lhe rouba a bola, Armando Teixeira, nascido em Estrasburgo, mas que cresceu no bairro do Lavradal em Ponte da Barca, conhecido no mundo do futebol como Petit, num jogo da Taça UEFA na equipa de Jaime Pacheco que viria a ser campeã, onde aliás também jogou Ricardo, Ricardo Pereira, conhecido pelo Mãozinhas na sua terra, Montijo, e por Sabe-Tudo pelos colegas na Selecção, perde a bola."

Perceberam a esquemática da coisa? Não! Então é porque são incultos e não conseguem utilizar a brilhante figura de estilo com que nos brinda o sr. Conduto: a heldercondutanalepse.
Agora digam-se se este não é um Senhor da comunicação (com S grande)! Diria mais, um animal da comunicação. De facto, aquilo que eu, quando vejo futebol, quero saber é a proveniência geográfica do jogador, e se possível onde cresceu e viveu seus momentos felizes de infância. Este senhor Hélder Conduto faz o seu trabalho exemplarmente! Atenção, o dinheiro que a RTP gasta nas viagens deste senhor e do outro (o Luís Baila que durante os jogos informa se a bola passou a 2cm ou 4cm da barra, qual o jogador que vai entrar e quem está deitado no chão lesionado e em que parte da anatomia do corpo humano fez a mossa) é claramente bem empregue. Aliás, tenho gosto em que o dinheiro dos meus impostos seja utilizado em viagens destes senhores pela Europa fora (Dinamarca e Finlândia na última semana) a fazerem obras-primas do comentário desportivo nacional que tanto nos honram por esse Alcabideche (terra de nascença de Hélder Conduto) e Venda Nova (terra de infância de Hélder Conduto) fora. Assim, o nosso querido Hélder, prova-nos que não pertence aos 6,7% de analfabetos do nosso país, e que sabe ler as fichas informativas que são distribuídas aos jornalistas no início dos jogos.

Força Hélder!




Para os amantes de Fórmula 1, há que ouvir também, atentamente, os magníficos comentários da dupla Paulo Solipa e Jorge Alexandre Lopes.

O simpático Paulo, entendido na matéria e amigo íntimo de Tiago Monteiro, gosta de nos informar, após um "compromisso publicitário" (e não intervalo, ou anúncios, ou publicidade - sempre "compromisso publicitário", para que todos saibamos que aquilo que interrompe a corrida não são meros anúncios) que "voltamos de novo (sic) ao contacto". Eles voltam, e ainda por cima, de novo, pá, isto é que é. E o sempre bem-disposto Jorge, apimenta a coisa com os seus apaixonantes discursos intermináveis que começam na trajectória efectuada pelo carro de Alonso e acabam no verniz das unhas da empregada doméstica do engenheiro-chefe da equipa Honda, sem nunca terminar uma ideia

Um exemplo, a frase "Fisichella acaba de ser ultrapassado pelo seu companheiro de equipa Alonso" acaba numa linda ode ao vazio e à ideia de vácuo como esta:

"Jorge Alexander Lopes - Fisichella, que já nos treinos tinha saído ligeiramente de pista na curva onde, há seis anos, Pedro Lamy também saiu nos treinos livres de sexta-feira, treinos esses onde, aliás, também Mikka Hakkinen tivera problemas, mas com a afinação da asa traseira, que lhe valeram um lugar muito atrasado na grelha de partida desse Grande-Prémio, que por sinal, naquele ano fôra alterado na parte da chicane que se segue à curva 34, onde morreram 2 espectadores, num acidente no campeonato do mundo de motociclismo em 1974, dois dias depois da corrida de Fórmula 1 que deu o título a Emerson Fittipaldi, e que... Aaa... Onde é que eu ia?
Paulo Solipa - Bem Jorge, temos de ir para um "compromisso publicitário" para, desde já, regressarmos de novo ao seu contacto."

Já agora, dou uma Bola-de-Berlim com creme, a quem conseguir provar que Paulo Solipa alguma vez na sua vida conseguiu pronunciar Michael Schumacher and David Coulthard, sem ser nas suas imaginativas variantes Mishaél (à francesa) Chumacker-se e David Côltar-se.

Às vezes pergunto-me, porque é que o cidadão Manuel Subtil, em 2001, não levou avante o seu plano de se explodir na casa-de-banho da RTP.

JGP

1 comentário:

Anónimo disse...

Respeita o Helder Conduto que é um grande profissional. É injusto o que aqui escreves. Mas temos que dar o desconto, porque não percebes nada de bola e de tv.