9 de novembro de 2008

BBC VIDA SELVAGEM

Queria escrever qualquer coisa... Queria? Já não quero?! Haha... A típica piada seca. Estava a dizer que quero escrever qualquer coisa. Isto está muito parado. É preciso uma injecção de qualquer coisa, um suplemento vitamínico daqueles que se fica a arrotar alho o dia todo. Estou cansado de abrir a página e ver que o último post foi publicado por mim em Fevereiro passado! Os senhores que estão na coluna à direita estão vivos? Parece que não. Nem JGP escreve, parece impossível!
Alors... Hoje vou escrever sobre um assunto que já ando para escrever há uns tempos. Como devem saber ou deviam – visto que se trata de um assunto assaz importante, ao ponto de revolucionar toda a política externa dos E.U.A. dos próximos quatro anos – Estou em Paris. Existir uma pessoa em Paris não é um facto estranho, até porque para além de mim vivem perto de 12 milhões de pessoas nesta vila... Vá lá, quase cidade. Não deve faltar muito para assumir esse estatuto. No entanto, o facto de ser eu faz com que isto ganhe outra vida, outra dinâmica. As pessoas reconhecem isso e todos os dias sou abordado na rua:
(Atenção: Ler as minhas falas com a voz do Sr. Primeiro-ministro José Sócrates interpretado pelo génio Ricardo Araújo Pereira)
- Peço desculpa, é o Exmo. Sr. Duarte Coutinho?
- Sou sim...?
- Ah, bem me parecia que conhecia a sua cara (não sei de onde). Como está? Chamo-me X.
- Bem, obrigado. Muito gosto.
- É uma honra conhecer tão ilustre personalidade. Leio com regularidade os seus interessantíssimos artigos no Gameirices. Importa-se de me assinar esta folhinha para eu ter como recordação?
- Muito obrigado. Apenas cumpro o meu dever de cidadão. Assino com todo o gosto e ainda lhe ofereço dois autocolantes do jogo do Uno do McDonald’s.
- Ah, ainda por cima é o número 9 amarelo que me faltava para ganhar o Boné! Sóis de facto muito generoso.
- Ora essa...
Isto é um pequeno exemplo do apreso que esta gente tem por mim.
Entretanto onde é que já vou, começei a dizer que ia falar sobre um assunto que ainda nem referenciei e já estou a falar de outras coisas. O assunto é a minha casa aqui na cidade das luzes.
Quando cheguei a Paris não tinha residência, alojamento, ou qualquer coisa que se parecesse, portanto tive de procurar, eu e o Jaime que está comigo a fazer Erasmus. Tivemos alguma sorte e ao fim de três dias encontramos uma agência que tinha apartamentos disponíveis, não excessivamente caros e arrendamos um. Quando finalmente nos mudamos qual não é o nosso espanto ao entrar em casa e nos deparamos com uma autêntica praga de baratas! Afinal aquilo não era nosso, era delas! Nem no meu mais assustador pesadelo imaginaria um cenário daqueles. Baratas de todos os tamanhos e feitios a passearem-se por todo o lado. Nós afinal éramos os intrusos que vinham conquistar aquele pedaço de terra e não os supostos donos da casa. Começamos a chacinar indiscriminadamente tudo o se mexia. Como pisar deixa o chão sujo optamos pela táctica do aspirador. Portanto, tudo o que aparecia ia para o aspirador. No dia seguinte fomos à agência contestar a situação e acabaram por mandar um senhor para fazer uma desinfestação. Quando este terminou o seu serviço o assunto pareceu ficar aparentemente resolvido mas nos dias seguintes as baratas continuaram a aparecer sorrateiramente, especialmente à noite. Mantivemos a táctica do aspirador mas elas continuavam a aparecer, com muito menor intensidade é verdade mas apareciam. A média devia rondar as 3, 4 baratas por dia.
Passado algum tempo, chegou a hora de deitar o saco fora. Como devíamos ter a maior criação de baratas de Paris dentro daquele aspirador resolvemos deslocarmo-nos à rua para efectuar a difícil tarefa de retirar o saco não fosse começar a chover baratas pela casa toda. Quando abrimos o dito aspirador, o saco estava roto e baratas nem vê-las. Ou seja... Andávamos a aspirar as mesmas queridas todos os dias. “Ah, Cátia Vanessa! O que é que estás a fazer aí em cima do armário?! Já cá para dentro!”. Foi um momento engraçado e em que me senti verdadeiramente estúpido. Agora que o assunto está resolvido dá-me vontade de rir mas na altura não teve piada nenhuma.
Conclusão: Quem quiser fazer Erasmus especificamente para Paris, pondere bem o facto de ter má vizinhança porque ao que parece estes imigrantes são bastante comuns por estas paragens.
PS – A fotografia é de Sir David Attenboroug apresentador de muitos programas da BBC. Felizmente que em Paris não existe artilharia pesada como a que ele tem na mão.

2 comentários:

AV disse...

Ta mto bom, uma injecção de insecticida para ver se se põe este blog a andar. Um abraço

JGP disse...

LOL. E pelo que sei as gajas continuam a andar pela mansão... Essa desbaratização ficou mal feita. Se bem me, eu feito Hércules matei uma atrás do frigorífico um dia antes de me vir embora daí.