10 de janeiro de 2009

BARCELONA - LISBOA, A PRIMEIRA IMAGEM

Viagem entre Barcelona e Lisboa. O que trago hoje é um simples acontecimento que presenciei, sem a menor importância para os portugueses mas extremamente importante para a minha formação enquanto homem e apreciador de queijo da Serra da Estrela.

Ao descolar em terras de Espanha a atmosfera límpida fazia adivinhar um retorno tranquilo. O mar azul de Poseidon reflectia o Sol de Apolo. Hermes guardou-nos durante a viagem e chegámos intactos. Em Lisboa vislumbrei o nosso pindérico aeroporto. Desloquei-me como é habitual ao tapete rolante por onde são lançadas (literalmente) as malas dos ocupantes de um qualquer vôo. Dizem que o aeroporto de Lisboa é dos que tem pior serviço de handling da Europa e onde são registados grande número de furtos de bagagens. Provavelmente o tuga chico-esperto que acha que vai encontrar a resolução dos seus problemas na mala de um compatriota ou de um sueco qualquer que veio cá parar por acaso, pensando que isto fosse um país civilizado. A rotina foi a habitual. A certa altura estava eu sentado num banco à espera da mala quando vejo algo bastante interessante: um casal na bonita idade dos 60 aproxima-se. Ele grande para os lados, ostentando um impressionante casaco de cabedal preto; Ela volumosa pois claro, com um cabelo curto ridículo, transportava um objecto parecido com uma caixa. Com excepção da ausência de pilosidade sobre o lábio superior do macho, podíamos dizer que era o casal português típico. Mas calma, onde estavam os rebentos? Claro que não existiam rebentos. Então se a idade dos elementos desta maravilhosa parelha rondava os 60 como é que poderiam ter rebentos? Não têm porque já não podem, pois uma das actividades preferidas destes portugueses é a procriação. Em vez do Telmo ou da Sandrine com ranho a escorrer pelo nariz, têm o Béu-béu que também faz cocó mas não vai a creche e quando leva um tabefe não chora a tarde inteira. Este tipo de casais como já não têm filhos pequenos e os netos só os vêem nas reuniões familiares semanais (churrascos e sardinhadas, geralmente), optam pela companhia de canídeos. Pequenas feras peludas que obrigam à colocação de uma placa a dizer “Cuidado com o cão” à porta da vivenda na Costa da Caparica. O nosso casal não fugia a regra. A caixa que a esposa (vulgo patroa) transportava era precisamente o Lu-lu peludo formato 40x30 que ansiava desde Barcelona por uma boa mijadela à antiga (peço desculpa pelo vocabulário). Ao chegarem ao tapete o macho inclina-se junto da fêmea e abre a porta da jaula que transportava o bicho impaciente. A fêmea descontraída falava alto. Tudo aquilo era novo, todo aquele ambiente no aeroporto era emocionante. O movimento do seu marido traduziu-se na maior felicidade do seu pequeno animal de estimação que saiu disparado como um foguete. A alegria estava patente no olhar do nosso amiguinho que se babava de alegria. Tinha-se aguentado 1 000 km de viagem por aquele instante, o momento em que finalmente libertaria os fluidos acumulados. Saiu galopando, de boca escancarada, língua de fora. Visto em câmara lenta seria possível vislumbrar fios de baba lançados em todas as direcções. Quais serão os pensamentos de um cão? O desde não foi muito difícil de adivinhar. O que ele queria era alçar a perna o mais rápido possível, e foi o que fez. Em pleno aeroporto internacional de Lisboa dirigiu-se à primeira coluna junto ao tapete e deixou uma monumental mijadela. À sua volta as pessoas não conseguiram conter o riso nem mesmo eu. A situação foi de facto caricata. Um cão a urinar em pleno aeroporto, numa coluna de mármore. Quem não conhecia Portugal teve uma primeira impressão fantástica. Eu por outro lado senti-me em casa.
PS – Se calhar exagerei a descrever uma cena tão pequena, mas o que é bom é para ser dito com calma.
PPS – Espero não me ter enganado nos Deuses.

3 comentários:

JGP disse...

Quer me parecer que chegamos ao ponto em que se pode dizer que "sim senhor, xôr Duarte, os textozinhos estão a ficar muito jeitosos".

VNS disse...

Lol
Gostei dos pormenores tds, especialmente o da baba do cão a esvoaçar enquanto corria.
E os Deuses estao tds correctos
Bien bien!

JoanaPgm disse...

loool Lindo! :D
E mt boa a forma cmo csguiste relatar 1 situaçao "qs normal" num texto(ZAO) desses!