1 de setembro de 2008

GAMEIRO PAIS APRESENTA: TRIVIALIDADES DO BIZARRO III

Bem-vindos ao terceiro Trivialidades do Bizarro. A história de hoje envolve antiguidade, piromania, fama e templos. Mas vamos ao que interessa, convosco: João Gameiro Pais!

(aplausos)

Olá, olá! Obrigado. Muito obrigado. Por favor, sentem-se. A sério, sentem-se. Muito obrigado.

A história de hoje remonta aos tempos do antigamente. Não me refiro a coisas como "antes da queda do muro" ou "no entre guerras", mas sim algo muito mais antigo: a Antiguidade Clássica. Ah, a Antiguidade Clássica, belos tempos em que a criançada não tinha jogos de vídeo e brincava muito mais lá fora. Mas, o que é a Antiguidade Clássica afinal? Muitos dirão que é aquela antiguidade que nunca passa de moda, ou aquela antiguidade em que só se ouvia Mozart, mas isso serão pessoas com um nível de debilidade mental superior à média. A Antiguidade Clássica é aquela altura em que, primeiro gregos, e depois romanos, se constituíam como líderes culturais na zona do globo a que chamamos Europa.

Seguramente conhecem as sete maravilhas do mundo. Digo seguramente, mas tenho quase a certeza que não as sabem dizer. Ou então dizem coisas como a Grande Muralha da China ou o Taj Mahal, que são coisas muito posteriores. Entretanto, eu próprio também não sei dizer todas as 7. Tive de recorrer à cábula para vos poder informar que são: a Grande Pirâmide de Gizé, os Jardins Suspensos da Babilónia, a Estátua de Zeus em Olímpia, o Mausoléu de Mausolo em Halicarnasso, o Colosso de Rodes, o Farol de Alexandria e o Templo de Artemisa em Éfeso. Este último é o que nos interessa para a história de hoje.

Diz-se que o Templo de Artemisa (Diana para os romanos) teria sido o maior templo alguma vez construído no mundo antigo. Foi planeado por um arquitecto de Creta, que aparentemente arquitectava tão bem como quão estranho era o seu nome: Quersifrão (Era forreta de certeza, como o próprio nome indica: quer $!). O templo foi aberto ao público lá para meados do século VI a.C., provocando peregrinações de todos os cantos do mundo civilizado. No entanto, duzentos anos depois, a 21 de Julho de 256 a.C., um rapaz de nome Eróstrato decidiu agarrar no equivalente a um bidon de gasolina da altura (provavelmente azeite ou óleo) e ateou um belo lume que destruíu por completo o belo edifício de adoração à deusa da caça. Aquilo a que chamamos hoje de acto de terrorismo não se aplica ao feito de Eróstrato, já que o objectivo deste mandila era muito mais simples e egoísta do que um acto terrorista. O que Eróstrato pretendia era pura e simplesmente fama. Ter o seu nome gravado na História. Imortalizar-se. Ser conhecido como "aquele gajo que queimou uma das 7 maravilhas do mundo". Aliás, aquando da investigação o próprio Eróstrato orgulhosamente fez saber ao mundo o que havia feito. Acabou por ser condenado à morte, o que tendo em conta os seus objectivos é um pequeno preço a pagar.

Para evitar mais engraçadinhos deste género, as autoridades de Éfeso não se ficaram por aqui e, para além da execução de Eróstrato, condenaram-no à obscuridade proibindo qualquer pessoa de pronunciar sequer o seu nome ou de registá-lo de alguma forma. Aparentemente não resultou lá muito, parece-me. Especialmente porque estou a contar-vos isto, o que prova que o senhor lá conseguiu o que queria.

E ainda hoje, quando alguém faz um acto parvo com o único objectivo de ficar conhecido por ele, se diz que o parvalhão procura "fama erostrática". Eu por acaso não uso muito a expressão, mas deve haver intelectuais por aí que a utilizem às pazadas.

E assim acaba mais um Trivialidades do Bizarro. Espero que tenham gostado. Espero também que seja proíbido pessoas munidas de martelos pneumáticos e que tenham lido este post de se aproximarem da Torre de Belém. Até breve!

1 comentário:

DGC disse...

Gostei!