23 de junho de 2008

GAMEIRO PAIS APRESENTA: TRIVIALIDADES DO BIZARRO II

Olá, bom dia, boa tarde ou boa noite consoante a hora em que esteja a ler isto desse lado.

Bem-vindo a mais um Trivialidades do Bizarro, eu sou João Gameiro Pais e trago-lhe uma outra história bizarra que certamente o irá surpreender.

A história de hoje roça o macabro. Se fôr um profundo conhecedor de dança clássica provavelmente conhece Isadora Duncan, bailarina americana, bastante famosa na Europa, e conhecida como a mãe da dança moderna. Depois de uma carreira recheada de sucessos, na década de 20 Isadora havia preferido pôr as piruetas de lado, deixando de dançar. Opta, no entanto, por andar à roda de outra maneira: recorrendo ao álcool. Os seus últimos tempos de vida estavam polvilhados de escândalos amorosos, fiascos financeiros e muita festa, libertinagem, roupa cara, carrões e viagens.

Com 50 anos, após uma pequena festarola em Nice, França na qual esteve aparentemente deslumbrante e com uma écharpe de seda gigantesca (sua imagem de marca), a senhora apanha boleia do playboy italiano Benoît Falchetto. À saída da festa Isadora terá aparentemente dito, enquanto entrava no Amilcar 1924 GS de Falchetto, "Adeus meus amigos, vou ao amor!", o que abona muito a favor da decência da madame. Os amigos entretanto só mais tarde revelaram a frase, tendo optado por divulgar uma outra mais suave: "Adeus meus amigos, vou para a Glória!" Glória e sexo são coisas parecidas...

Depois de um serão bem passado, Falchetto levou Isadora Duncan a casa. Estacionou à porta, esta despediu-se e virou costas. Falchetto, um percursor do tunning, fez uma arrancada à artista, levantando poeira e fazendo uma tremenda barulheira. Contudo o exibicionismo sairia furado aos dois. Ao arrancar Falchetto não reparou que a écharpe de Isadora ficara presa no eixo traseiro de uma das rodas do Amilcar. Acelerando à italiana foi arrastando o seu charme pelas ruas de Nice, ao mesmo tempo que arrastava também Isadora Duncan, presa pela écharpe, durante umas boas centenas de metros. Quando reparou nos gritos, parou a viatura.

Isadora Duncan morreu estrangulada.

Acerca deste episódio a escritora Gertrude Stein disse mais tarde: "As afectações podem ser perigosas".

Voltamos qualquer dia para mais trivialidades do bizarro.

Obrigado pela atenção.

Não perca, já a seguir, informação sobre a votação das Viaturas de Sonho, onde infelizmente não se inclui o Amilcar de 1927 de Benoît Falchetto.

1 comentário:

tiagugrilu disse...

Grande. A que horas é que isto vai passar na RTP2 ?

Tens que subornar alguém para levar em frenete as Trivialidades do Bizarro.