11 de outubro de 2007

EM BUSCA DA EMPRESA CHINESA PERDIDA

No quotidiado deste vosso servo existem algumas peculiaridades. Hoje vou falar-vos de uma delas.

Desde os tempos de petiz que, sempre que tinha necessidade de apontar algo de importância extrema e que não podia olvidar, utilizava uma caneta e uma mão. Apontava tudo na palma e isso durava-me, digamos, até ao intervalo seguinte. Já que enquanto se é petiz joga-se futebol e isso é meio caminho andado para suar das mãos e consequentemente apagar tudo o que nelas esteja escrito.

Com o aparecimento do aparelho de telefone celular móvel, e, acima de tudo, com a maravilhosa invenção que foi a capacidade de armazenar mensagens na memória do telefone, surgiu toda uma nova perspectiva sobre a temática "apontamento de algo que não me posso esquecer".

De cada vez que me lembro de qualquer coisa, sejam listas de coisas para comprar no Pingo Doce, sejam coisas para falar aqui neste estaminé, sejam sites que me recomendam, sejam músicas para sacar da net... Aaa.... Comprar na net, isso... Comprar. Quem é que falou em sacar? Isto é, seja o que for que eu tenha de anotar, utilizo o telemóvel. Não tenho nenhum PDA, nem nada disso. Um simples Nokia que dá para gravar SMS normalíssimas, como qualquer Alcatel.

Ora isto é muito bom. Mesmo muito bom. Com um pequeno problema. Uma pessoa só se lembra de facto de ir às mensagens gravadas em duas situações. Quando se está na casa-de-banho e não se tem nada para fazer (situação que normalmente não ocorre comigo, já que tenho o Beach Rally no telemóvel) ou então quando surge no dia-a-dia uma razão para acrescentar mais qualquer coisa às mensagens gravadas.

Isto tudo para dizer que, um dia destes qualquer ouvi uma música na Antena 3 que decidi apontar para depois sacar da n... Sacar?! Quem é que falou em sacar? Para depois ir comprar à Valentim de Carvalho, isso sim. Portanto, dizia eu, quando apontei essa tal música deparo-me com uma quantidade imensa de coisas antigas que vinha apontando vai para quase um ano.

Músicas, frases parvas de amigos, medicamentos que me tinham recomendado, e, entre isto, uma relíquia fantástica de quando fui à República Checa.

Uma frase apenas.

Bonita. Longa. Forte. Quente. Imperceptível.

"The strange voice is new to create the notebook video-disc machine. The jpeg picture view, voice replies to read to reply to sing, defend the electric shock and defend to strike by lightning." Qisheng.

Onde é que eu desencantara isto?

Pus-me a pensar e há minutos cheguei a uma conclusão. Isto vi eu estampado numa caixa de um electrodoméstico no colo de um senhor chinês que ia a meu lado no avião entre Praga e Frankfurt. Era um objecto estranho. Tipo antena de televisão. Ou um pára-raios. Não sei bem. Sei que cabia no colo do sr. chinês.

Quando vi a caixa toda em azul e branco, com um hiper-feliz indivíduo asiático com um sorriso que encadeava a vista a apontar para o objecto em questão pousado no chão nem reparei na frase. Só depois, calmamente, pousei a minha vista nestas belas palavras. Rapidamente senti um apelo divino e apontei a frase no telemóvel, enquanto o filho do senhor (com os seus 6 anos) olhava para mim como que a pensar: "O meu papá só compra material do bom. Olha como o estrangeiro aponta a marca e o produto no seu telemóvel para depois ir também comprar..."

Fiquei sem perceber de que se tratava o aparelho, mas levava comigo o nome da marca. Qisheng. Podia sempre ir pesquisar na net para descobrir.

E só hoje é que voltei a olhar para aquilo.

Em português: a voz estranha é nova para criar a máquina de discos-vídeo bloco-de-notas. A visão da imagem jpeg, voz que responde para ler para responder para cantar, defender do choque eléctrico e defender para ser atingido por raios.

A minha parte preferida é o "voice replies to read to reply to sing". Uma voz que responde para ler para responder para cantar.

Qual não é o meu espanto quandou vou lampeiro tentar encontrar a Qisheng no Google.

Um dos resultados é uma empresa de máquinas de ginásio
Outro é uma empresa de artigos de vestuário localizada na capital da moda chinesa Guangzhou.
Na Wikipedia fiquei mais esclarecido:

"The Qisheng (Traditional: 棋聖; Simplified: 棋圣; Pinyin: Qíshèng) is a Zhongguo Qiyuan Go competition."

Portanto, o/a Qisheng é uma competição de Zhongguo Qiyuan Go.

Acho que é melhor começarem a avisar os consumidores. Uma pessoa está à espera de estar a comprar uma voz que responde para ler para responder para cantar e defende de raios, e acaba por comprar máquinas de ginásio, artigos de vestuário ou Zhongguo Qiyuan Gos. Tramado.

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