1 de dezembro de 2008

DEU-ME PARA ISTO

ORIGINALIDADE

"Ser ou não ser, eis a questão"
Frase batida, sem condição,
Perdida no tempo, oca e vazia
Lugares-comuns provocam azia!
Mas quem nunca usou, levante uma mão.
Clichê, frase feita, um mau chavão,
Coisa que é fácil, não tem razão.

Pois, rimar em "ão" não é salutar,
Mas fi-lo com gosto, não há azar.
Tudo vale a pena, e não sei o quê,
Outra frase feita, não sei bem porquê.
Conquanto não passe a rimar em "ar"...
Ó bolas! já está. Voltei a errar.
Será que a seguir vêm coisas com "mar"?

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São coisas secas, de essência banal?
Frases usadas, arrastadas p'lo chão.
Tu queres ver agora? Voltamos ao "ão"?
Que rimar é fácil, escrever é que não!
E pensar é fogo que arde (e mal),
É uma chama pequena, rara, anormal.

Há muita parra e uva canina.
No universo do verso, que é uma chacina!
Quem julga poder sair da vindima
Da rima e do verso do outro e de alguém
Vai sair-se com muito, mas ficar aquém
Daquilo que é certo, é bom e faz bem!
E quem vai ler, sei eu. É ninguém.

É por isso que é bom usar a cabeça,
Deitar fora tudo, peça por peça,
Começar do início, ser original.
Fácil é parvo, é mau e faz mal.
E eu, que me incluo na banalidade,
Devia era estar na mendicidade,
Deixar-me disto, que nunca é tarde.

3 comentários:

DGC disse...

Existe pelo menos uma pessoa que já leu. Está muito original, parabéns!

Anónimo disse...

Não soou a presunção, está bem giro! ;)

JPgm

António Sengo disse...

Cómico, será a palavra q melhor o caracteriza. Gostei. Continua!